sexta-feira, 9 de março de 2012

Síria, Líbia, Rússia e China

Por Sagran Carvalho.



Hoje na Voz da Russia li um artigo intitulado " Doutrina de Eisenhower: passados 55 anos", onde o articulista tenta passar a visão russa de tal doutrina e a situação atual no Oriente Médio e no norte da África.
 Quem não conhece a Doutrina Eisenhower, acessa aqui que tem um breve resumo: http://www.infoescola.com/historia/doutrina-eisenhower/ .
O texto é correto e  mostra fatos verídicos, claro que um pouco tendenciosos à visão russa, até ai nada demais.
Porém no mesmo texto há um parágrafo que quero debater com vocês, segue abaixo:

"A interferência nos assuntos internos de outros países contraria não apenas a Carta da ONU, mas também o bom senso. Os Estados Unidos e os seus aliados mais próximos – França e Inglaterra – tentam impor um regime político cômodo para eles em alguns países do Oriente Médio e Próximo. Mas esta prática é condenada com evidência ao fracasso, porque, manifestando-se pela democracia à americana na Síria e na Líbia, todos nós vemos que tipo de democracia se formou na Líbia. Espero que isso não aconteça na Síria."


Este parágrafo foi dito pelo Sr. Andrei Volodin, dirigente do Centro de Estados Orientais da Academia de Diplomacia do MRE da Rússia ( como consta no próprio texto ). 
Tudo bem que sua opinião  represente os interesses de seu país, que veja a situação sob uma ótica diferente da ocidental e que discorde das ações e pressões dos americanos e seus aliados. Agora, o que não da para aceitar é a omissão de russos e também chineses quanto aos massacres cometidos pelo líder da Síria contra seu povo, assim como o fizera o ex-líder líbio Khadaffi, isto para citar apenas estes dois casos.
Não tenho a ilusão que na Líbia, no Egito, no Iêmen ou em qualquer país por onde a Primavera Árabe tenha passado houveram uma mudança de fato do status quo anterior, sei que não, mas, dar apoio a déspotas genocidas, que não tem o minimo de pudor em massacrar sua própria população também não é a melhor política.
A questão fundamental é que é legítimo cada Estado defender seus interesses e lutar para que os mesmos prevaleçam, mas esta legitimidade não pode servir de escudo para que genocidas ajam de forma livre e a vontade para praticar crimes e dizimar oposicionistas. Pareço meio ingênuo, e talvez até seja isto mesmo, porém não posso ficar calado com o que vem acontecendo com a população siria, que vem sistematicamente sofrendo um ataque brutal de um regime sanguinário, onde qualquer tentativa de se dar um fim a matança encontra em russos e chineses resistência sistemática. Apoiar o regime de Assad é também um crime, mas para russos e chineses este não é um problema ético ou moral, é apenas a defesa de seus interesses.
Só que o fundamental na Síria não é implantar a democracia americana ou os valores ocidentais, o que ambos não aceitam,  a questão é tirar um genocida do poder, antes que seu açougue tenha mais carne fresca para o abate.


Fontes: Voz da Rússia e Infoescola



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