quinta-feira, 31 de maio de 2012

Em visita a Israel, presidente alemão quebra tradição e critica israelenses

Por Sagran Carvalho.

epa03241791 German President Joachim Gauck (R) is welcomed by the Prime Minister of Israel Benjamin Netanyahu in Jerusalem, Israel, 30 May 2012. The German head of state is on an official visit to Israel and the Palestinian territories. EPA/Lior Mizrahi / POOL +++(c) dpa - Bildfunk+++

Em visita a Israel, Gauck quebra uma tradição alemã e pediu mudanças na política israelense em relação aos palestinos. Ele enfatizou compromisso alemão, mas pôs em questão solidariedade irrestrita de Berlim a Tel Aviv.
Na visita de quase três dias a Israel que termina nesta quinta-feira (31/05), o presidente alemão apelou para que os israelenses retomem o processo de paz com os palestinos através de um "sinal" na política de assentamentos. Ao mesmo tempo em que enfatizou o compromisso da Alemanha em relação a Israel, sugeriu que uma solidariedade irrestrita pode se mostrar problemática.
No segundo dia de sua passagem por Israel, o presidente alemão, Joachim Gauck, visitou, entre outros, o Instituto Weizmann, entidade de pesquisa científica próxima a Tel Aviv. Lá, Gauck se encontrou com pesquisadores alemães e israelenses e insinuou que ambos os povos devem olhar para adiante, para impedir que as relações entre Alemanha e Israel se resumam a uma "cultura de preocupação", se referindo indiretamente à responsabilidade dos alemães devido à sua história recente. Ele destacou que, entre os dois países, existe, além do trabalho necessário de superação do passado, "uma longa tradição de cooperação para formar o presente e o futuro."
Divergências com Netanyahu
Em encontro com o chefe de governo israelense, Benjamin Netanyahu, Gauck afirmou que "Alemanha e a Europa agradeceriam por qualquer sinal na política de assentamentos" no território palestino. Netanyahu, porém, rejeitou uma mudança no rumo do governo. Segundo o porta-voz do presidente alemão, Gauck deixou claro para o primeiro-ministro israelense que a crítica alemã à política de assentamentos não é uma ameaça à amizade entre os dois países, mas é parte de um diálogo franco entre as nações.
Gauck colheu aplausos da oposição em Berlim ao comentar uma frase da chanceler federal alemã, Angela Merkel, que afirmou ser a segurança de Israel uma questão de "razão de Estado" para a Alemanha. Na terça-feira, o presidente lembrou que tal posicionamento poderia trazer problemas à Alemanha no caso de um ataque militar de Israel contra o Irã.
Elogios a Gauck
O deputado Verde alemão Jerzy Montag afirmou em Jerusalém que Gauck fez uma declaração que ele vê como correta. Segundo o político, a afirmação de Merkel pressupõe um apoio automático aos israelenses no caso de um ataque ao Irã. "A questão do apoio em caso de guerra só pode ser respondida em situações específicas", lembrou. O presidente da Sociedade Israel-Alemanha, o social-democrata Reinhold Robbe, também elogiou as declarações de Gauck.
O porta-voz de Gauck, Andreas Schulze, entretanto, negou que o presidente alemão tenha criticado diretamente a política de Merkel para Israel. O ex-embaixador israelense na Alemanha, Avi Primor, elogiou a disposição de Gauck de criticar Israel abertamente. "Essas inibições que os alemães têm de falar abertamente conosco e nos dizer o que pensam, mesmo que sejam críticas, não são boas para a amizade", disse Primor em entrevista a uma rádio alemã. "O presidente Gauck encontrou o tom certo."
MD/afp/dpa/kna
Revisão: Carlos Albuquerque

DW.

EUA: fornecimento de armas da Rússia para a Síria é um ato condenável

Por Sagran Carvalho.

NOVA YORK (AFP)
A embaixadora americana na ONU, Susan Rice, classificou nesta quinta-feira o fornecimento de armas da Rússia para a Síria de ato condenável, ao fazer um apelo para que se aumente a pressão internacional sobre o presidente Bashar al-Assad.
Ao falar do massacre na cidade de Houla, no qual morreram 108 pessoas, entre as quais 49 crianças, Rice disse que as primeiras conclusões de uma comissão de investigação síria são "outra mentira flagrante".
"Em relação à chegada de um navio com armas russas, isso é, obviamente, da maior preocupação, já que o governo sírio continua usando força letal contra civis", ressaltou Rice aos jornalistas na sede da ONU em Nova York.
"Tecnicamente não é, obviamente, uma violação das leis internacionais, pois não existe um embargo de armas, mas é condenável que essas armas sigam chegando a um regime que está usando uma força tão horrível e desproporcional contra seu próprio povo", disse Rice.
Um navio russo carregado de armas teria chegado ao porto sírio de Tartous no final de semana passado. A Rússia é o principal e último aliado internacional da Síria e defendeu Assad no Conselho de Segurança da ONU em discussões sobre os protestos contra o mandatário.
O embaixador russo nas Nações Unidas, Vitaly Churkin, rejeitou as críticas relacionadas à venda de armas insistindo que a operação era legal e que não alimenta o conflito sírio.
Rice também criticou o fato de o governo de Assad ter negado sua participação no massacre na cidade de Houla, no centro do país, ao desmentir a declaração do governo sírio segundo a qual o massacre foi praticado por "grupos armados".
"Creio que é simplesmente outra mentira flagrante", afirmou.
"Não há evidência dos fatos, incluindo a apresentada pelos observadores da ONU, que possa sustentar essa versão dos acontecimentos", concluiu.

SUMMIT-Brasil quer elevar gasto com defesa de 1,5% para 2% do PIB

Por Sagran Carvalho.


Reuters 
Por Ana Flor e Jeferson Ribeiro
O Brasil pretende aumentar seus gastos na área de defesa dos cerca de 1,5 por cento atuais do Produto Interno Bruto para 2 por cento em até dez anos, afirmou nesta quarta-feira o ministro da Defesa.
O crescimento, segundo Celso Amorim, faz parte de um ajuste para que o Brasil se aproxime do investido por outros países dos Brics -que investem mais, em média 2,5 por cento do PIB.
"Temos que nos acostumar a olhar quais são os parâmetros de comparação. O Brasil é um país sul-americano, latino-americano... mas o Brasil também é um dos Brics e não pode se deixar de ver dessa maneira diante de um mundo em que nós ainda não conseguimos banir o conflito", disse Amorim em entrevista durante o Reuters Latin American Investment Summit.
O ministro acrescentou que o Brasil precisa se preparar para situações como "uma corrida por recursos naturais".
"Nós temos que estar preparados para reagir ou até dissuadir alguma tentativa de invasão no território nacional ou nos seus recursos", disse.
Para atingir a meta, entretanto, o governo precisará reverter o movimento dos anos recentes, em que o orçamento da pasta sofreu cortes. Em 2011, por exemplo, o orçamento para custeio e investimento da pasta foi 1,1 bilhão de reais inferior ao de 2010, somando 14,6 bilhões de reais.
Para 2012, o ministério prevê 13,2 bilhões de reais para custeio e investimento e tem uma promessa para elevar esse orçamento em mais 1,6 bilhões de reais. Esses valores desconsideram os gastos com a folha de pagamento, que consome a maior parte dos recursos destinados para a área de defesa.
Amorim argumentou que um aumento desse percentual de investimentos em defesa pode levar o país novamente à condição de exportador de material bélico.
"Já exportamos (no passado) muitos blindados, foguetes terra-terra e estamos desenvolvendo vários desses armamentos que podem ser exportados".
CADEADO NA PORTA
Os investimentos serão norteados pelo trabalho de um grupo que estuda as prioridades de Defesa brasileira. No topo da agenda, citou o ministro, está a compra de caças militares, em estudo desde o governo Fernando Henrique Cardoso.
Para Amorim, o tema já "está maduro para ser decidido" e reafirmou que a escolha pode ocorrer ainda neste semestre, mas depende da presidente Dilma Rousseff.
"Os caças estão aguardando uma decisão. É importante que essa decisão saia logo, porque é uma deficiência que já se faz notar", disse.
Questionado sobre a possibilidade dessa decisão ser adiada por conta das dificuldades econômicas mundiais e a menor taxa de crescimento brasileiro, o ministro descartou a possibilidade.
"Certas coisas são necessárias", ponderou.
"Você pode dizer: hoje eu estou ganhando menos, tenho que diminuir minhas despesas. Mas você vai deixar de ter um cadeado na porta? Acho que a gente não pode deixar de ter o cadeado na porta", argumentou.
Amorim disse que o Brasil ficou decepcionado com o cancelamento da licitação nos Estados Unidos para compra de aviões turbo-hélice de ataque ligeiro, mercado dominado pelos supertucanos construídos pela Embraer. Mas, segundo ele, isso não terá impacto direto na decisão sobre a compra dos caças.
O Brasil analisa as ofertas dos jatos Rafale, francês, Gripen NG, sueco, e F-18 Super Hornet, norte-americano.
"São quantias tão diferentes, que eu dar impressão que se eles comprarem da Embraer vai ter um impacto benigno, não sei. Um contrato é de 300 milhões (de dólares), outro é de 5 bilhões (de dólares), mais ou menos. Agora, obviamente nós ficamos decepcionados", salientou.
O ministro disse que autorizou, nos últimos dias, a compra de quatro lanchas colombianas que servirão para Exército e Marinha patrulharem os rios da Amazônia. O negócio é de 10 milhões de dólares e pode ser expandido nos próximos anos.
(Reportagem adicional de Esteban Israel e Paulo Prada)

ScienceCasts: ISS Transit of Venus

Por Sagran Carvalho.

Bem acima da Terra, o astronauta Don Pettit está prestes a se tornar o primeiro ser humano a testemunhar e fotografar um trânsito de Vênus a partir do espaço. Suas imagens e comentários serão transmitidos para a Terra durante a travessia.
NASA.

Jornalista francês carrega carta das Farc para Hollande

Por Sagran Carvalho.

BOGOTA, Colômbia (AFP)
O jornalista francês Romeo Langlois, libertado quarta-feira pelas Farc no sul da Colômbia após um mês de cativeiro, afirmou nesta quinta-feira em Bogotá que os guerrilheiros tinham dado a ele uma carta para ser entregue ao presidente francês, François Hollande.
"Obviamente eu não posso divulgá-la porque ela é dirigida ao presidente Hollande. Mas as Farc concordaram com sua publicação caso ele deseje", disse durante uma coletiva de imprensa organizada na sede da embaixada da França.
O correspondente da emissora de televisão France 24, sequestrado em 28 de abril durante um ataque a uma brigada militar, quando ele filmava uma operação anti-drogas no sul do país, explicou que tinha "a permissão para ler a carta", porque nela continha "desculpas públicas" por parte dos guerrilheiros.
Os rebeldes, que entregaram o jornalista para uma missão humanitária em uma vila próxima ao local do seu sequestro, pediram desculpas por terem qualificado o repórter como "prisioneiro de guerra", após sua captura.
"Esta é a primeira vez que eles pedem desculpas, e é muito importante essa afirmação de que a imprensa não é uma inimiga", disse Langlois.
Na carta, os guerrilheiros pedem aos "países amigos, especialmente europeus", que "forneçam assistência para uma solução negociada" para o conflito colombiano, acrescentou o jornalista.
Fundada em 1964, a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) possui ainda 9.200 combatentes, escondidos em áreas montanhosas e florestas. Ela comprometeu-se em fevereiro renunciar à prática de sequestro.

SUMMIT-Aposta mais racional para Síria é plano de Annan, diz Patriota

Por Sagran Carvalho.


Por Jeferson Ribeiro e Ana Flor
BRASÍLIA, 31 Mai (Reuters) - O governo brasileiro considera a situação na Síria "muito preocupante" pela escalada da violência, mas ainda assim o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, defende que a melhor aposta para acabar com os seguidos massacres ainda é continuar com o plano do enviado especial da Organização das Nações Unidas ao país, Kofi Annan.
Desde o ano passado, os manifestantes contrários ao regime do presidente Bashar al-Assad têm se envolvido em conflitos cada vez mais sangrentos com forças de segurança sírias.
A ONU estima que as forças de Assad já tenham matado pelo menos 7.500 pessoas desde o início da rebelião, inspirada por outras revoltas da "Primavera Árabe" em todo o Oriente Médio e norte da África.
O regime de Assad, que se diz vítima de terroristas patrocinados por governos estrangeiros, afirma que mais de 2.600 soldados e agentes de segurança foram mortos no período.
"(A situação na Síria) está evoluindo para um conflito sectário com alto nível de violência", disse Patriota nesta quinta-feira durante o Reuters Latin American Investment Summit.
"No momento, creio que a aposta mais racional é a do plano Kofi Annan", acrescentou.
O plano de Annan tem seis pontos que incluem questões de discussões políticas e retirada de armas pesadas e tropas de centros populacionais, acesso livre de assistência humanitária, libertação de prisioneiros, liberdade de circulação e permissão para entrada e saída de jornalistas.
O chanceler brasileiro, porém, disse que nas próximas horas ou dias o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas pode adotar alguma outra estratégia, dependendo do relato que Annan, ex-secretário-geral da ONU, fará aos membros permanentes do órgão.
"O tempo diplomático às vezes não consegue se antecipar a situações de crise e de violência e que levam à morte e que levam ao sofrimento", admitiu Patriota.
Desde março, a ONU tem tentado negociar com a Síria o plano de Annan e desde 12 de março vigora um frágil cessar fogo que não conseguiu encerrar os confrontos.
O ministro brasileiro ponderou, porém, que as alternativas à saída negociada têm maior risco.
"Ações precipitadas que não sejam concebidas dentro de uma estratégia racional, coerente, podem inflamar mais ainda uma situação que já está exacerbada de tensão", explicou.
Patriota acredita que não haverá esse encaminhamento para uma saída militar no caso sírio.
"Eu vejo no caso da Síria uma resistência grande dos membros permanentes do Conselho de Segurança de contemplar qualquer intervenção armada. Isso até tem sido dito pelos Estados Unidos...tendo em vista a alta complexidade do Estado sírio", argumentou.
EXPULSÃO
O ministro brasileiro também se mostrou contrário ao procedimento adotado por alguns países nos últimos dias de expulsar missões diplomáticas sírias em represália ao mais recente massacre na cidade de Houla, que resultou no assassinato de 108 pessoas.
"A expulsão do embaixador não vai ajudar a reduzir a violência", disse.
"Elas (as expulsões) respondem a impulsos unilaterais, não é objeto de nenhuma decisão consensual ou multilateral das Nações Unidas", acrescentou.
Patriota também reiterou a posição brasileira na questão dos direitos humanos, rebatendo as insinuações contra o Brasil, que resistiu à adoção das sanções impostas à Líbia antes da derrubada do ex-líder Muammar Gaddafi.
"O Brasil quando favorece o diálogo, quando favorece a diplomacia, está favorecendo que a violência não se instaure. E que se procure soluções sem violência, sem morte", disse.
"Se for o caso, em última instância, é até plausível se recorrer a atitudes desse gênero. Mas, as decisões têm que ser legítimas, ou seja têm que ser tomadas pelo Conselho de Segurança. E elas também têm que ser monitoradas para que não haja desvios de curso de ação", acrescentou, referindo-se mais especificamente à questão líbia.
(Reportagem adicional de Esteban Israel e Paulo Prada)


Obama 'horrorizado' com Síria, mas outros critérios são considerados (Casa Branca)

Por Sagran Carvalho.


WASHINGTON (AFP)
A Casa Branca indicou nesta quinta-feira que Barack Obama está "horrorizado" com a violência na Síria, mas que vários outros elementos são considerados para definir a reação dos Estados Unidos, que "não pode acabar com todos os horrores do mundo".
Questionado sobre a reação do presidente americano em relação à violência cometida contra os sírios, especialmente crianças, seu porta-voz Jay Carney afirmou que isso "reforça sua certeza de fazer tudo o que pode ser feito pelos Estados Unidos (...) para tentar mudar esta dinâmica".
"Ele está horrorizado, como todos nós que testemunhamos o que aconteceu na Síria e que escutamos as informações" vindas deste país, assegurou Carney, durante uma coletiva de imprensa.
"O presidente está inteiramente ciente. Quando ele toma decisões, ele leva evidentemente em conta este tipo de sofrimento. Mas ele deve tomar suas decisões com todos os elementos, a começar pelos interesses de segurança nacional dos Estados Unidos", acrescentou o porta-voz.
"Mesmo tão poderosos, os Estados Unidos não podem impedir todos os horrores do mundo. Devemos trabalhar com nossos parceiros e aliados para empreender os tipos de ações que podem reduzir esses comportamentos terríveis em diferentes partes do mundo ", disse Carney.
"É necessário estar muito focado no processo de decisão. É isto o que os Estados Unidos fazem para obter o resultado desejado, certificando-se de não criar consequências adversas para os Estados Unidos e, em alguns casos, para as pessoas que tentamos ajudar", segundo ele.

'Grupos armados' por trás do massacre de Houla (investigação oficial síria)

Por Sagran Carvalho.

BEIRUTE (AFP)
O massacre de Houla do dia 25 de maio no centro da Síria foi cometido por "grupos armados", segundo os resultados preliminares da investigação realizada pelas autoridades sírias, informou nesta quinta-feira o general Kassem Jamal Sleimane, chefe da comissão de investigação Justiça-Exército.
"Grupos armados assassinaram famílias pacíficas", anunciou Sleimane, durante uma coletiva de imprensa, afirmando que essas famílias "haviam recusado a se colocar contra o governo e não concordavam com os grupos armados", referindo-se à oposição armada que combate as tropas do governo.
Ele afirmou que "entre 600 e 800 homens armados, (...) vindos de regiões vizinhas de Houla, começaram a atacar a região e as tropas governamentais".
O general ressaltou que em momento algum o Exército entrou em Taldo, localidade onde foi assassinada a maior parte das 108 vítimas, entre elas cerca de 50 crianças, segundo a ONU.
"O local onde foi praticado o massacre é uma área onde há grupos armados (...) as tropas do governo não entraram nem antes nem depois", acrescentou o investigador.
O massacre "não foi causado por bombardeios" do Exército regular, prosseguiu o chefe da comissão, afirmando que os corpos não tinham marcas (...) de queimaduras".
Um alto funcionário das Nações Unidas declarou na terça-feira que existia uma "forte suspeita" do envolvimento dos "shabbiha", milicianos pró-regime, no massacre de Houla.

Rebelde sírio quer que Annan declare fim de plano de trégua

Por Sagran Carvalho.


Por Mariam Karouny
BEIRUTE, 31 Mai (Reuters) - O principal comandante rebelde da Síria fez um apelo nesta quinta-feira para que o mediador internacional Kofi Annan anuncie que o seu plano de paz falhou, a fim de liberar os insurgentes de qualquer compromisso com um acordo de trégua, que os Estados Unidos disseram que pode entrar em colapso e desencadear uma ampla crise no Oriente Médio.
O coronel Riad al-Asaad, que fica baseado na Turquia, contradisse uma declaração dos rebeldes dentro da Síria que emitiram um ultimato de 48 horas na quarta-feira para o presidente Bashar al-Assad cumprir as condições do plano de Annan.
"Não há prazo, mas queremos que Kofi Annan emita uma declaração anunciando o fracasso desse plano para que pudéssemos ficar livres para realizar qualquer operação militar contra o regime", disse o coronel Asaad à TV Al Jazeera.
O plano de Annan não conteve o derramamento de sangue na Síria e a enviada dos EUA para as Nações Unidas advertiu que, a menos que o Conselho de Segurança aja rapidamente para pressionar a Síria para acabar com a repressão contra a oposição, os países podem agir separadamente do organismo mundial.
Susan Rice descreveu o que ela disse ser o pior caso e o cenário mais provável em que "a violência aumenta, o conflito se espalha e se intensifica... envolve os países da região, começa a assumir formas cada vez mais sectárias, e temos uma grande crise não só na Síria, mas na região".
Nesse caso, a Síria -- um país muçulmano de maioria sunita, cujo líder é aliado do Irã -- se tornaria "um conflito com armas vindas de todos os lados" e as potências mundiais considerariam tomar ações unilaterais, afirmou Rice.
As declarações rivais de rebeldes dentro e fora da Síria mostraram mais uma vez o quão profundas são as divisões entre inimigos de Assad, que não conseguiram unificar operações políticas ou militares mais de 14 meses depois que o levante da Síria teve início.
Observadores da Organização das Nações Unidas anunciaram na quarta-feira a descoberta de 13 corpos amarrados e baleados no leste da Síria, somando-se ao clamor mundial sobre o massacre da semana passada de 108 homens, mulheres e crianças na cidade ocidental de Houla. A ONU disse que militares e atiradores pró-Assad provavelmente foram responsáveis pelas mortes, uma acusação que Damasco nega.
O secretário-geral Ban Ki-moon alertou nesta quinta-feira que outra atrocidade poderia lançar a Síria em uma devastadora guerra civil "da qual o país nunca iria se recuperar".
Um comandante sênior do Exército em Israel, que tomou as Colinas de Golã da Síria em uma guerra há 45 anos, disse que o país estava caminhando para o colapso e se tornaria um "armazém de armas" para os militantes islâmicos.
Asaad afirmou que os rebeldes até agora tinham honrado seus compromissos com o plano de Annan. Mas ativistas relataram frequentes ataques por militantes e desertores do exército contra as forças de Assad desde o acordo de cessar-fogo em 12 de abril.
As forças do governo também têm bombardeado cidades, disparado contra manifestantes e atacado redutos de rebeldes, matando centenas de pessoas nas últimas sete semanas, contam os ativistas.
A irritação com o massacre na última sexta-feira na região de Houla fez uma série de países ocidentais expulsar diplomatas sírios na terça-feira e pressionar Rússia e China para permitir medidas mais duras pelo Conselho de Segurança da ONU.
Pequim disse na quinta-feira que mais tempo deve ser dado para permitir a implementação do plano intermediado por Annan, o representante das Nações Unidas e da Liga Árabe para a Síria. "A China acredita que a situação na Síria, atualmente, é certamente muito complexa e grave", afirmou o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores Liu Weimin em uma entrevista coletiva diária.
"Mas, ao mesmo tempo, acreditamos que os esforços de mediação de Annan têm sido eficazes e devemos ter ainda mais fé nele e dar-lhe mais apoio", acrescentou.

Intervenção militar na Síria: retórica ou realidade?

Por Sagran Carvalho.




Possibilidade de intervenção militar na Síria é cogitada por países ocidentais como forma de pressionar governo Assad. Rússia e China apoiam cada vez menos Damasco e "solução iemenita" pode ser saída para o país.
Tudo aconteceu rapidamente: primeiro, uma série de países ocidentais expulsaram os diplomatas sírios de seus territórios. Depois o recém-empossado presidente francês, François Hollande, declarou não excluir a possibilidade de uma intervenção militar, que tenha como base um mandato da ONU para a Síria. Tanto a expulsão dos embaixadores quanto o pronunciamento de Hollande podem ser vistos como uma reação ao massacre de Hula, ocorrido na última sexta-feira (25/05), que deixou um saldo de mais de 100 mortos, em sua maioria executados coletivamente com disparos à queima-roupa.
É de praxe nos círculos diplomáticos deixar sempre margem para interpretações e neste sentido a declaração de Hollande demonstra as devidas artimanhas. Pois diante do fato de que os países ocidentais não excluem uma intervenção, o regime do presidente Bashar al Assad deverá refletir a respeito de quais circunstâncias poderão levar a uma intervenção e quais não. E parte-se do princípio de que o governo sírio deverá também pensar o que deveria fazer para evitar tal situação.
Apelo em diversos sentidos

Hollande: artimanhas diplomáticas ou sérias intenções?
É bem possível que o pronunciamento de Hollande tenha cumprido sua obrigação em nome dos países ocidentais, ou seja, servir de alerta para que o regime sírio não continue fazendo uso de violência de maneira indiscriminada como vem praticando nas últimas semanas e meses. Além disso, Hollande não deve ter tido em mente apenas o governo da Síria com sua declaração. Suas palavras servem também de apelo à comunidade de países ocidentais e aos governos das nações que vêm apoiando a Síria até agora.
A cientista política Margret Johannsen, do Instituto de Pesquisa sobre a Paz e Política de Segurança da Universidade de Hamburgo, compreende a declaração de Hollande sobretudo como um indício de que, nas Nações Unidas, estão sendo reunidos cada vez mais esforços para acabar com o apoio trôpego da Rússia e da China a Damasco. A última resolução da ONU já deu sinais de que os dois países dão cada vez menos apoio à Síria. De forma que o pronunciamento de Hollande pode ser visto, segundo Johannsen, como "um sinal diplomático forte ao regime de Assad, alertando para o fato de que Damasco está cruzando a linha de tolerância e arriscando, com isso, perder o apoio até agora obtido", diz a especialista.
Desorientação dos países ocidentais
Esta opinião é compartilhada pelo cientista político Bertrand Badie, professor do Instituto de Estudos Políticos, sediado em Paris. Segundo ele, a declaração de Hollande não significa que a França esteja de toda forma disposta a iniciar uma ação militar na Síria, mas sim que esta é uma entre as várias opções possíveis – entre as quais Hollande, a princípio, defende a menos violenta.

Margret Johannsen, da Universidade de Hamburgo
De acordo com Badie, as palavras do presidente francês não têm antes por meta uma intervenção real em breve, mas sim a tentativa de provocar mudanças na conduta do governo sírio. E naturalmente isso também é um sintoma da situação difícil, na qual o Ocidente se encontra: "Quando não se sabe que caminho seguir, opta-se pela escalada verbal do conflito. Fala-se de uma intervenção, mas antes para pressionar o destinatário do recado do que de fato para agir", completa Badie.
Hollande declarou também que pretende retirar as tropas francesas do Afeganistão mais cedo do que o originalmente previsto. A opção pela retirada é justificada pelo presidente pelo fato de a presença militar no país não ter trazido os resultados pretendidos. Ou seja, seria um paradoxo, alerta Badie, se Hollande optasse por uma missão militar agora, justamente quando praticamente ninguém mais acredita na eficácia da mesma. "Nesta semana, a Casa Branca declarou considerar baixas as perspectivas de sucesso de uma intervenção militar na Síria", cita Badie.
Margret Johannsen também não acredita que uma intervenção militar seja o melhor para o país. Segundo ela, as nações envolvidas correriam o risco de participar de uma aventura militar de fim incerto. E no caso da queda de Assad, também haveria incertezas quanto à formação de um novo governo. "Na Síria, não há nem ao menos uma oposição unida que possa assumir o poder após o fim da era Assad. O país encontra-se fragmentado e a guerra civil ganha cada vez mais uma conotação religiosa", completa Johannsen.
Intervenção provoca sensação de humilhação

Massacre recente em Hula
Várias experiências feitas até agora, explica Bertrand Badie, dão sinais contra uma intervenção na Síria. As missões no Iraque, na Líbia, no Afeganistão, mas também na Somália e no Congo, mostraram que a comunidade internacional não domina o instrumento da intervenção multilateral. Logo, é pouco aconselhável inserir as intervenções no arsenal de medidas políticas e diplomáticas disponíveis. Segundo Badie, também na Síria surgiriam problemas insolúveis de ordem diplomática, política e militar.
O presidente Hollande, continua Badie, acaba de cometer o erro de deixar público seu parecer sobre o governo Assad. "Pois no exato momento em que a comunidade internacional definir um regime conseguinte, surgirá entre a população síria um sentimento de humilhação e de estar sob a tutela alheia", analisa o cientista político.
Ou seja, nem mesmo depois do massacre de Hula, Assad deverá, de fato, contar com uma intervenção no país. No entanto, o Ocidente deixa claro que sua paciência está chegando ao fim. Principalmente o distanciamento da Rússia e da China devem estar trazendo uma certa dor de cabeça ao presidente sírio, que deveria apostar mais do que nunca, agora, numa solução diplomática para a crise.
Margret Johannsen acredita que a chamada "solução iemenita", favorecida atualmente pelos políticos alemães e pelos EUA, poderá ser a mais viável. Esta solução prevê que Assad deixe o poder, mas entregue seu cargo a alguém de sua confiança. A tarefa de seu sucessor seria então reiniciar a vida política do país, o que concretamente significa encontrar uma forma de vida na sociedade síria, extremamente dilacerada, através da divisão de poder.
A prova de que isso é possível pode ser vista no vizinho Líbano. "Uma divisão de poder desta espécie já deu provas de sua eficácia. Possivelmente com mais efeitos negativos que positivos, mas mesmo assim a solução pôs fim à guerra civil que assolava o Líbano há 15 anos. É possível que esta não seja uma boa solução, embora seja melhor que uma guerra civil infindável", conclui Johannsen.
Autora: Kersten Knipp (sv)
Revisão: Carlos Albuquerque

DW.

Veredicto contra Eichmann é entregue à Casa da História em Bonn

Por Sagran Carvalho.


Há 50 anos, o organizador do Holocausto, Adolf Eichmann, foi condenado à morte. Ruth Levy-Berlowitz, que vivenciou o processo como intérprete, entregou agora à Casa da História, em Bonn, seu exemplar do veredicto.
Trata-se aparentemente apenas de dois pacotes de papel: um contendo documentos em hebraico, outro em alemão. O significado dos mesmos é, contudo, enorme, pois eles são o testemunho de um acontecimento internacional, veiculado pela mídia e único para a época: o processo contra o tenente-coronel da SS, Adolf Eichmann, iniciado em abril de 1961 e concluído na noite do 31 de maio para o 1° de junho de 1962, com a condenação do réu à morte por enforcamento.
A intérprete Ruth Levy-Berlowitz, que nasceu em Dresden em 1925 e fugiu em 1936 com seus pais da Alemanha nazista, desempenhou no processo um papel especial. Com sobriedade e lembranças extremamente precisas, ela relata como reagiu quando recebeu a proposta de servir de intérprete durante o processo. "Pedi um tempo para pensar e contei para meu marido. Ele me disse: 'Você não é normal, para usar um termo ameno' ", recorda Levy-Berlowitz. A família quis afastá-la da ideia de assumir a função, mas a tradutora viu na incumbência um desafio. Afinal, ela era uma intérprete profissional. Além do fato de que tinha também certa curiosidade e certo "espírito aventureiro", como confessa hoje.
Respirando o horror

Ruth Levy-Berlowitz entrega o veredicto a Hans Walter Hütter
Ruth Levy-Berlowitz resolveu testar seus próprios limites. Ela teve acesso aos documentos relativos aos depoimentos de Eichmann e se isolou num hotel de Tel Aviv. "Vivi, comi e dormi Eichmann. Me distanciei de todos os outros hóspedes. E tentei detectar se tudo teria um peso sobre mim, se Eichmann me perseguiria no sono, no sonho", relata. Como isso não ocorreu, essa mulher robusta, com seu jeito lacônico, aceitou a incumbência de traduzir, do hebraico para o alemão, os depoimentos das testemunhas de acusação de Eichmann e de seu defensor.
Durante meses, ela passou oito horas por dia susurrando para Eichmann, através de um fone de ouvido, sempre por 20 minutos ininterruptos: e sempre de maneira profissional, sem se alterar emocionalmente, buscando palavras para descrever o horror. Somente nos 20 minutos, nos quais outro intérprete assumia a tradução, é que ela conseguia se dar conta, de fato, do que havia sido dito. Mesmo assim, Levy-Berlowitz permanecia inabalada.
E Eichmann, que sentimentos demonstrava? "Nenhum. Lá ficava sentado como que petrificado dentro de uma redoma de vidro, ladeado por dois seguranças mudos", relembra a intérprete. Segundo ela, a cena parecia irreal, quase surrealista. "O fato de que minhas palavras chegavam a ele em tom de sussurro, sem causar qualquer impacto, era para mim muitas vezes algo incômodo", diz Levy-Berlowitz.
A importância histórica da sentença contra Eichmann

Adolf Eichmann, reponsável por logística do Holocausto
A tradutora se protegia internamente. Quando deixava o prédio do tribunal, começava para ela outra vida. "Depois que o processo acabou, jurei para mim mesma que nunca teria mais nada a ver com Eichmann", relembra. E foram necessários alguns anos até que ela conseguisse novamente falar de novo sobre o Holocausto. "Cheguei ao ponto de ter cumprido minha obrigação perante a Shoá", fala Levy-Berlowitz.
Para a sociedade alemã do pós-guerra, o processo apenas começava: depois de 15 anos de sublimação de todo o ocorrido, as pessoas na então Alemanha Ocidental não podiam mais continuar ignorando o passado nazista. "Pela primeira vez, os crimes hediondos do regime passaram a ser assunto entre a opinião pública", diz Hans Walter Hütter, diretor da Casa da História, em Bonn.
De forma que o veredicto contra Eichmann foi um testemunho histórico em três sentidos: como narrativa da história do Holocausto e de sua elaboração – tanto em Israel, quanto na Alemanha. Quando Hütter soube que este documento único seria entregue à Casa da História, mal pôde conter sua emoção. "Dietmar Preissler, que trabalha comigo, chegou um dia ao meu escritório, demonstrando certa ansiedade, e disse que seria possível obter esses documentos", recorda Hütter. A partir daí foram feitos todos os esforços em prol de uma transferência dos papéis o mais rápido possível.

Sentença de morte de Eichmann, em alemão
Banalidade do mal?
A sentença de condenação de Eichmann terá em breve seu lugar fixo na exposição permanente da Casa da História, ao lado do vídeo de uma entrevista com Ruth Levy-Berlowitz.
Hannah Arendt, a filósofa de origem judaico-alemã, compareceu ao processo em 1961 enviada pela revista The New Yorker, tendo publicado posteriormente suas observações no livro Eichmann em Jerusalém. Um relato sobre a banalidade do mal. Levy-Berlowitz não chegou a conhecer Arendt, pois exatamente na semana em que a filósofa acompanhou o processo, a tradutora esteve doente, com uma amigdalite.
"Foi minha única ausência durante todo o processo", conta Levy-Berlowitz. Sua substituta, contratada às pressas, fez um trabalho medíocre, diz a intérprete. E exatamente nesta semana Hannah Arendt acompanhou o processo. "Ela nunca ouvia a tradução completa, nada do que vinha depois. Seu livro baseia-se em uma única semana de julgamento", fala a tradutora.
Quem foi Eichmann?

Hannah Arendt: discurso sobre 'a banalidade do mal'
Para Levy-Berlowitz, Eichmann nunca despertou, contudo, a sensação de "banalidade". O adjetivo escolhido por Arendt, segundo a intérprete, não é adequado. "Ele era um homem baixo e horrendo", relembra. Dietmar Preissler, diretor de coleções da Casa da História, afirma que Eichmann não era o "homem comum" descrito pela filósofa. "Admiro Hannah Arendt por várias coisas, mas neste ponto não concordo com ela. Há muitos historiadores que também compartilham minha opinião", fala Preissler.
Segundo ele, Eichmann esteve altamente envolvido na preparação do Holocausto. E o processo provou que ele carregava essa responsabilidade não apenas como um algoz de escrivaninha, que dava ordens à distância. "Nas sessões do tribunal, ele tentou se colocar como um parafuso no maquinário nazista, como alguém que somente acatava ordens. Mas através de outros depoimentos fica claro que ele era um algoz convencido daquilo que fazia", aponta Preissler.
Ruth Levy-Berlowitz lembra com sobriedade o que sentiu quando deu a Eichmann a notícia sobre sua sentença de morte: "cumpri minha obrigação", diz ela, dando mostras de que mantém até hoje sua postura profissional de intérprete.
Autora: Birgit Görtz (sv)
Revisão: Carlos Albuquerque

DW.

Junta Militar acaba com estado de emergência em vigor há 31 anos no Egito

Por Sagran Carvalho.

Renata Giraldi



Brasília – A Junta Militar que governa o Egito desde fevereiro de 2011 acabou hoje (31) com o estado de emergência em vigor no país há 31 anos. O estado de emergência foi imposto pelo então presidente Hosni Mubarak, que renunciou em 11 em fevereiro de 2011, pressionado pela população e pela comunidade internacional para abrir mão do poder.
Em 1981, Mubarak impôs o estado de emergência depois do assassinato do presidente Anwar Al Sadat por radicais islâmicos. Depois, a medida foi renovada em 2010 por dois anos até 31 de maio de 2012. A lei em vigor até hoje permitia ao Estado restringir as liberdades públicas e concedia poderes amplos à polícia para detenção, entre outras medidas.
O fim do estado de emergência era cobrado por integrantes da oposição e defensores dos direitos humanos. Para as organizações não governamentais, o estado de emergência permite a violação de direitos humanos e liberdades.
De acordo com a Junta Militar, o Exército terá a responsabilidade de proteger e garantir a segurança “da nação e dos cidadãos”. No próximo mês, os egípcios voltarão às urnas para definir sobre o futuro governo. O poder será transmitido dos militares para um civil.
Pela Constituição do Egito, o Exército é responsável pela proteção do país e o Parlamento pode aprovar o estado de emergência a pedido do Executivo. A duração é seis meses e só pode ser renovada por referendo.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa // Edição: Juliana Andrade

AB.

Ahmadinejad reitera determinação do Irã em manter programa nuclear

Por Sagran Carvalho.

Renata Giraldi



Brasília – O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em entrevista concedida à emissora francesa TV France 24 e reproduzida pela agência iraniana estatal de notícias, reiterou que o governo do país vai manter seu programa nuclear. Segundo ele, a base do programa é o enriquecimento a 20% de urânio. De acordo com Ahmadinejad, é direito do Irã manter pesquisas na área nuclear.
Ahmadinejad ressaltou que confia nos avanços das negociações, marcadas para 18 e 19 de junho, em Moscou, na Rússia, entre as autoridades do Irã e o grupo chamado P5+1 (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha). Na reunião, o Irã espera reduzir as restrições ao país devido às suspeitas de irregularidades no programa nuclear desenvolvido na região.
No entanto, o presidente demonstrou que as discussões em Moscou podem não avançar tanto quanto o desejado. "Nós não estamos esperando milagres na próxima reunião", disse Ahmadinejad. "Haverá áreas de trabalho que vão na direção certa e vamos trabalhar para que se chegue a um acordo construtivo."
Segundo Ahmadinejad, não está em discussão a proposta, negociada em 2010 pelo Brasil, para que outro país desenvolva o enriquecimento de urânio e entregue o material aos iranianos. "Essa proposta não foi novamente apresentada. Mas aliviaria a situação e ajudaria a criar [mais] confiança", disse ele.
Como em ocasiões anteriores, o presidente negou o desenvolvimento de bombas atômicas no Irã. Segundo ele, as suspeitas contra o país são motivadas por questões políticas. De acordo com Ahmadinejad, o programa nuclear desenvolvido pelos iranianos tem fins pacíficos. Ele reclamou das sanções ao Irã que envolvem as áreas econômica, financeira, comercial e militar.
"A minha pergunta é: qual dos problemas do mundo é resolvido com essas sanções? Será que elas trazem segurança? Elas garantem a observação dos direitos humanos [por exemplo]?", completou o presidente do Irã.

*Com informações da agência estatal de notícias do Irã, Irna // Edição: Juliana Andrade

AB.

Veredicto de julgamento de Hosni Mubarak será divulgado no sábado

Por Sagran Carvalho.

CAIRO (AFP)
A justiça egípcia divulgará no sábado o veredicto de Hosni Mubarak, o primeiro líder derrubado pela "Primavera Árabe" a comparecer perante os juízes.
O promotor pediu a pena de morte para Mubarak, acusado de corrupção e de estar envolvido na morte de cerca de 800 manifestantes em janeiro e fevereiro de 2011, durante a mobilização de opositores que culminou com sua deposição. Mubarak negou estar envolvido nessas mortes.
Seu ex-ministro do Interior, Habib el Adli, e seis funcionários de alto escalão dos serviços de segurança também são julgados pelos mesmos motivos.
Os filhos do ex-presidente, Alaa e Gamal, são julgados por corrupção no mesmo julgamento, que começou no dia 3 de agosto de 2011, seis meses depois da renúncia de Mubarak.
No entanto, há quem tema que a justiça não poderá se pronunciar em condições adequadas, já que não foram fornecidas suficientes provas tangíveis da culpabilidade do presidente durante as audiências.
O veredicto será divulgado depois do primeiro e antes do segundo turno das eleições presidenciais. Estas eleições ocorrem após um agitado período de transição, no qual foram registrados novos episódios de violência.
Pela primeira vez em décadas estas eleições são realizadas em um clima de liberdade e sem intimidações. Trata-se de uma das principais mudanças que ocorreram no país desde a "revolução de 25 de janeiro" de 2011 e a detenção de Mubarak, em abril do ano passado.
Os islamitas da Irmandade Muçulmana, um movimento proibido durante muito tempo, se tornaram a maior força política do Egito, depois de vencerem as eleições legislativas.
No entanto, embora o Egito tenha vivido décadas com violações dos Direitos Humanos, com prisões políticas e tortura institucionalizada, segundo várias organizações não governamentais (ONG) a justiça pode absolver Mubarak. Por sua vez, o ex-presidente poderá apelar da decisão.
O promotor considerou ter provas suficientes e pediu a pena de morte para Mubarak.
Mas, durante as audiências, os familiares das supostas vítimas de Mubarak ouviram com preocupação ou com raiva diferentes testemunhas se contradizerem ou afirmarem que o ex-presidente e os outros acusados eram inocentes.
Um oficial de polícia disse que havia sido ordenado a tratar os manifestantes como irmãos. Outros indicaram ter recebido instruções de não utilizar armas durante as manifestações.
Um ex-assessor de Habib el-Adli declarou que o então ministro do Interior havia ordenado usar apenas bombas de gás lacrimogêneo e canhões de água no dia 28 de janeiro de 2011, dia em que morreram mais pessoas.
"Na verdade, as testemunhas do promotor atuam como testemunhas de defesa", afirmou um dos advogados de familiares das vítimas.
Várias testemunhas importantes, como o atual chefe de Estado do Egito desde a queda de Mubarak, o marechal Hussein Tantawi, testemunharam a portas fechadas, mas advogados presentes disseram que não acusou o ex-presidente.
Mubarak também é acusado de corrupção pela venda de gás natural egípcio a Israel, que teria sido realizada a um preço inferior ao de mercado, assim como por ter aceitado um suborno do executivo egípcio Hussein Salem.
O Exército negou ter desempenhado um papel na decisão de julgar Mubarak, mas o julgamento foi realizado após meses de manifestações hostis ao poder militar, nas quais pedia-se que o ex-presidente fosse julgado.

Refém alemão é morto em tentativa de resgate no norte da Nigéria

Por Sagran Carvalho.


Por Joe Brock e Mike Oboh

ABUJA, 31 Mai (Reuters) - Um homem alemão mantido como refém no norte da Nigéria por um grupo ligado à Al Qaeda foi morto durante uma tentativa de resgate das forças nigerianas, afirmaram uma testemunha e fontes das forças de segurança à Reuters nesta quinta-feira.

Edgar Fritz Raupach foi sequestrado em Kano, principal cidade do norte nigeriano, em janeiro. Um grupo que alega ser o braço da Al Qaeda no Norte da África disse em março que o estava mantendo como refém e exigiu a libertação de uma mulher muçulmana presa na Alemanha em troca de sua soltura.

"Eu vi um cadáver dentro do veículo militar após a incursão em Quarters Danbare próximo ao novo local do campus da Universidade Bayero", disse o funcionário público Ibrahim Mohammed à Reuters, em Kano, por telefone.

"Não é apenas o alemão que estava dentro do veículo, mas os sequestradores também, os militares bloquearam todas as entrada para a área durante a incursão."

Sequestro de estrangeiros tornou-se uma tática comum do braço da Al Qaeda no Norte da África, a Al Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI), que opera a partir do país vizinho Níger, bem como Mali, Argélia e Mauritânia, e que as autoridades acreditam que ter ligações com militantes da Nigéria.

Um refém britânico e outro italiano foram mortos na Nigéria, em março, em uma tentativa de resgate fracassada. Eles apareceram com os olhos vendados em um vídeo em que disseram que estavam sendo detidos pela Al Qaeda.

(Reportagem adicional de Tim Cocks)

Pesquisas apontam vitória do "sim" em plebiscito irlandês

Por Sagran Carvalho.


Por Padraic Halpin e Stephen Mangan

DUBLIN, 31 Mai (Reuters) - Irlandeses começaram a registrar seus votos nesta quinta-feira no único plebiscito de um país que votará sobre o novo tratado fiscal europeu. Pesquisas de opinião apontam uma vitória do "sim", o que poderia aliviar a Europa de mais uma dor de cabeça.

O plebiscito, o terceiro da Irlanda em quatro anos sobre a Europa, coloca o país no centro das atenções depois de ter evitado grande parte dos problemas recente da crise da dívida da zona do euro ao implementar de maneira obediente a execução dos seu plano de resgate financeiro da UE/FMI de 85 bilhões de euros.

Apesar de o tratado fiscal liderado pela Alemanha com regras mais rigorosas de orçamento precisar da aprovação de apenas 12 dos 17 países da zona euro para ser ratificado, uma rejeição irlandesa poderia prejudicar uma das iniciativas mais importantes da Europa, no momento em que problemas se acumulam na Espanha e na Grécia.

O debate irlandês se reduziu a uma cláusula no tratado afirmando que somente aqueles que ratificarem podem ter acesso ao futuro dinheiro de resgate europeu.

A campanha pelo "sim" comandada pelo governo conseguiu a liderança das pesquisas ao alertar sobre atraso de salários, caixas eletrônicos vazios e uma interrupção repentina do investimento estrangeiro, caso o tratado seja rejeitado.

"Precisamos continuar fazendo a coisa certa para sair desta confusão", disse Louise McGovern, depois de votar "sim" numa sessão eleitoral em um subúrbio de classe média no sul de Dublin. "Não cabe ao povo irlandês descarrilhar o projeto europeu."

Os defensores do "não", liderados pelo ascendente partido Sinn Fein e alguns poucos sindicatos, dizem que a Europa não se atreverá a cortar a Irlanda caso, como é provável, precisar de mais financiamento oficial, quando o seu plano de resgate atual expirar no próximo ano.

A Irlanda já rejeitou por duas vezes tratados europeus nos últimos 11 anos, mas depois conseguiu reverter o resultado em votações repetidas que tiveram maior participação popular. O frio mais forte das últimas semanas, com previsão de chuva o dia todo, pode manter alguns eleitores em casa.

(Reportagem adicional de Conor Humphries e John O'Donnell, em Bruxelas)