segunda-feira, 2 de abril de 2012

Um tributo ao pequeno Tigre

Por Sagran Carvalho.

N-156F
http://1000aircraftphotos.com/PRPhotos/NorthropF5.jpgUm caça cujo projeto remete à década de 50 do século passado, e que em pleno Século XXI ainda permanece operacional em várias Forças Aéreas, sendo inclusive o principal vetor de ataque e defesa aérea de algumas, é uma prova de longevidade e sucesso. Foi um caça que não despertou grande interesse do principal cliente de seu construtor, mas que ao longo dos anos provou suas qualidades em diversos lugares, sendo um dos caças mais produzidos da história com aproximadamente 3400 unidades produzidas em todas as suas versões.
Estou falando do eterno Northrop F-5 Freedon/Tiger Fighter.
O início:
Em 1955 a Northrop dá incio, sob a supervisão de Welko Gesich, a um projeto de caça leve a jato, de baixo custo de aquisição e operação, que visava atender a USAF e seus aliados.
http://www.militarium.net/lotnictwo/foto/f5_01.jpgSob a designação N-156 e conhecido como "Tally Ho", este foi um dos primeiros projetos a utilizar o conceito de regra de área, para permitir um melhor desempenho supersônico, reduzindo o arrasto aerodinâmico.  Foram propostas sete versões, sendo uma delas apta a operar em Porta-Aviões.
Em 1959 o primeiro N-156F levanta vôo, sem despertar interesse da USAF, que na época não via a necessidade de um caça leve para seus esquadrões. Porém, ela se interessou e adquiriu a versão de treinamento N-156T, que passou a ser o treinador supersônico para seus pilotos, em substituição aos Lockheed T-33 Thunderbird. Esta variante recebeu o nome de T-38 Talon. Também é utilizado pela NASA.
Em 1963 a primeira versão operacional do N-156F estava pronta, recebendo o nome de F-5 A/B Freedom Fighter ( monoposto e biposto ). Como dito acima, a USAF não se interessou pela versão de caça, mas o Departamento de Defesa o selecionou para ser o caça padrão do "Programa de Assistência Militar -MAP" às nações amigas em 1962.



F-5 B

T-38 Talon
Freedom Fighter em combate:
Em 1964 a USAF havia recebido o primeiro F-5 para equipar um esquadrão da USAF (4441st Combat Crew Training Squadron), que tinha por objetivo dar treinamento a pilotos de nações amigas nas operações do F-5.
Porém as vendas da aeronave não haviam ainda "decolado".  Uma das grandes questões que vinham dificultando a exportação do pequeno caça, era o fato da USAF não operá-lo, utilizando apenas a versão de treinamento do mesmo.
F-5 Skoshi TigerPara sanar este problema, a Força Aérea Americana solicitou ao Departamento de Defesa a utilização e a avaliação dos caças em combate no Vietnã. O DoD aprovou e desta forma nasceu a Operação Skoshi Tiger.
Em 1965 a USAF selecionou 12 F-5A dos estoques do MAP para atuarem na no Teatro de Operações do Vietnã. Após cerca de três meses, onde foram efetuadas modificações nas aeronaves e treinamento de pessoal, as aeronaves decolaram no dia 20 de outubro de 1965 da Base Aérea de Williams com destino ao Vietnã do Sul. Acompanhavam os caças aviões de reabastecimento KC-135. Os mesmo chegaram em Bien Hoa, noVietnã no dia 23. Apenas cinco horas após a chegada os caças já entravam em ação, sendo incorporados à 4503º Ala de Caças Táticos ( 4503º TFW ).
1960's
Os F-5 efetuaram mais de 3.500 sortidas em mais de 4.000 horas de vôo, efetuando o lançamento de bombas de 500 e 750 libras.
Teve a maior disponibilidade entre os caças da USAF no Teatro de Operações, e devido as perdas inesperadas dos F-4 Phantom em combate, a USAF encomendou mais 200 F-5 à Northrop. Fatores como disponibilidade, preço e capacidade de sobrevivência pesaram decisivamente nesta opção, mesmo tendo menor capacidade tenológica e de carga em relação ao próprio F-4 e ao F-105 Thunderchief.
 Estas aeronaves foram posteriormente repassadas à Força Aérea Sul-Vietnamita.
Nasce o Tigre:
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj4G8oqB8SfFX78gdStBT59BKWOFy-J3GTiBPCry3fpZu0Z_-pFMlqCH14xXJTBKsZS1gIwqby4N31D-1PLu6PhJIiW8kUtYyMIj7cPummjngw9vVzYn3j0MQ8ye-tyC9jDm6AnBWRwz4k/s320/f-5.jpgO Governo norte-americano lançou em 1968 outro programa visando ao desenvolvimento de um novo caça a ser exportado às nações amigas. A Nothrop apresentou o F-5, propondo uma série de modificações que visavam reduzir as debilidades dos F-5A/B. A companhia ganhou a concorrência com o projeto F-5-21 em 1970. O novo caça recebeu o nome de F-5 Tiger II E/F (monoplace/biplace) e realizou seu primeiro vôo em 11 de agosto de 1972.
As principais mudanças em relação aos F-5A foram a introdução de motores mais potentes, novo radar, maior capacidade de carga, maior capacidade nos tanques de combustível internos, fuselagem alongada, entre outras mudanças técnicas. O F-5F ( biplace ) é cerca de 1,06 m mais alongada em relação ao F-5E, podendo desta forma manter o canhão interno. O biplace anterior ( F-5B) não possuía o canhão interno. O RF-5 Tigereye tem o nariz modificado, onde carrega câmeras oblíquas e verticais.
A USAF, desta vez encomendou cerca de 112 caças, sendo que 66 foram dedicados à esquadrões Agressors para treinamento dissimular das Forças da OTAN, pois seu desempenho era semelhante ao do MIG 21, então principal aeronave de ataque e superioridade do Pacto de Varsóvia.
A aeronave foi um sucesso de vendas, tendo o Vietnã do Sul como primeiro cliente, além da produção sob licença em países como Canadá, Espanha, Coréia do Sul, Suíça e Taiwan.
O caça foi exportado para cerca de 21 países, entre eles o Brasil, além dos citados acima.
Modernização:
http://sp0.fotologs.net/photo/32/60/97/fabbrasil/1185145032_f.jpg
F-5EM da FAB
Entre os anos 90 e 2000,países como Brasil, Chile e Suiça efetuaram modernizações em seus F-5 objetivando estender a vida útil das células além da troca de avionicos, radares, e até motorização, como ocorrido no país Andino.
Estas modernizações elevaram as capacidades dos caças, diminuindo o gap tecnológico para aeronaves de geração posterior, possibilitando também o emprego de armas modernas, como mísseis BVR e bombas inteligentes.
Porém, mesmo com as modernizações efetuadas, as aeronaves ainda encontram-se em desvantagem em relação aos vetores mais modernos, obrigando aos países que operam o pequeno Tigre, a buscar novos caças para sua aviação de ponta de lança. O Chile, por exemplo vem adquirindo nos últimos anos várias versões do Lockheed F-16. A Suiça acabou de fechar um contrato para a compra dos novos Gripens E/F. Outros tem vendido suas aeronaves usadas a operadores que necessitam repor suas aeronaves, como a Jordânia por exemplo.
O certo é, que em breve, estes bravos guerreiros não mais voarão, devendo permanecer apenas na lembrança dos seus admiradores e dos pilotos que tiveram o prazer de ter o manche deste caça em suas mãos. As modernizações prolongaram sua vida em muitas Forças Aéreas, mas infelizmente o tempo passa, e até os bravos merecem uma aposentadoria digna e honrada...este é o caso do F-5.
Obrigado pequeno Tigre da liberdade!!!
Valeu pelo serviços prestados caro Mike!!!

Fontes:
aereo.jor
Plano Brasil
Site Rudnei Cunha
Tecnologia e Defesa















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