A alguns dias participei de um debate no Facebook onde o tema abordado era a corrupção endêmica que acometia uma pequena cidade maranhense.
Invariavelmente todos os debatedores se revoltavam com o descalabro administrativo e a roubalheira generalizada até que....surgiu no debate outro tema bem controverso: Uma igreja da cidade havia realizado uma festa para seus fiéis, onde um dos patrocinadores era justamente a prefeitura municipal.
Aí a coisa tomou outra medida, com a grande maioria apoiando este fato, apesar da situação lamentável do município. Também tomaram como ofensa pessoal e um ataque direto a sua fé qualquer posição em contrário as suas.
É sobre isto que quero falar...
Vemos todos os dias nos meios de comunicação descalabros de todas as espécies, e entre eles a corrupção pública é uma que geralmente tem destaque especial. Nos revoltamos, exigimos punições, alguns políticos caem, outros não, o Ministério Público age, e ficamos no aguardo de que alguma coisa de fato aconteça quando o STF resolve julgar os casos...e nisto a vida segue. Claro, isto nos grandes casos de repercussão nacional.
Agora pergunto, e naqueles pequenos rincões onde os mesmos problemas ocorrem em escala local, e que a grande imprensa não tem o minimo interesse em se aprofundar? Vemos gestores municipais amealhando em apenas quatro anos, o que nunca ganharam em toda a vida, com a omissão e submissão de suas Câmaras, e quando percebem que há descontetamento popular, se aliam a igrejas e financiam festas religiosas dando à plebe o que ela mais gosta, pão e circo.
E o mais engraçado, é que funciona! Tudo em nome da fé.
Não quero aqui fazer julgamento de valores sobre a fé e a religião das pessoas. É um direito constitucional das mesmas acreditar ou não no que quiserem, isto é fato.
Mas a própria Constituição também nos mostra que o Estado é laico, mesmo com a sociedade sendo religiosa.
Não podemos aceitar que políticos usem a religião e para fins privados e vice versa, não podemos aceitar que o Estado ( União, Estados e Municipios ) usem seus recursos para financiar qualquer evento ou ato religioso, para isto elas já tem total imunidade fiscal.
O Estado tem outras atribuições e muito o que fazer, basta dar uma olhada nos indicadores sociais existentes.
Assim chegamos ao ponto que queria:
Você tem o direito de ter sua religião, sua fé e seguir os dogmas que elas professam, afinal é uma garantia constitucional, mas não misture isto e nem aceite qualquer ilegalidade em nome de suas crenças, pois a Constituição também assegura a laicidade do Estado.
Ou seja, cada um no seu quadrado.
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