Por Sagran Carvalho.
BRUXELAS, 29 Mai (Reuters) - O apoio para uma integração europeia caiu fortemente na União Europeia (UE) desde que a crise da dívida pública começou, mas poucos europeus querem abandonar o euro, mostrou um estudo divulgado nesta terça-feira.
Um número crescente de europeus na Grã-Bretanha, França, Espanha, Itália, República Tcheca, Polônia e Grécia dizem que a integração enfraqueceu suas economias e questionam se a parceria da UE é algo bom, de acordo com relatório do Pew Research Centre, grupo sem fins lucrativos sediado em Washington.
O estudo visa a fornecer um percepção melhor sobre atitudes e tendências na Europa e tem sido levado em consideração por autoridades norte-americanas para formular políticas em relação ao continente.
Somente a Alemanha, a maior economia da Europa e o maior contribuidor aos programas de resgate que apoiam os endividados Irlanda, Grécia e Portugal, mostra entusiasmo sobre o crescimento da UE desde 2009. Sessenta e cinco por cento dos alemães veem a parceria de forma positiva, 2 por cento a mais do que a pesquisa feita em 2009.
Embora 54 por cento dos espanhóis duvidem do valor de estar na UE -um enorme projeto econômico e político criado após a Segunda Guerra Mundial-, a queda no apoio não se traduz em querer deixar o bloco monetário.
Apesar de enfrentar a segunda recessão econômica em apenas três anos, 60 por cento dos espanhóis ainda apoiam a moeda comum, destacando as tensões e contradições de um bloco guiado por uma filosofia de estabelecimento de uma "união ainda mais próxima".
Na Grécia, onde a rejeição dos eleitores aos programas de austeridade exigidos pela UE e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) intensificaram as preocupações sobre o país ter que deixar a zona do euro, apenas 23 por cento da população quer retornar ao dracma.
"A ironia é que as pessoas que estão no euro ainda querem mantê-lo", disse o diretor do Pew Research Centre, Bruce Stokes.
"As pessoas percebem que seria dar um salto no escuro voltar para as suas moedas antigas", disse ele.
O desejo de deixar o euro aparentou ser mais forte na Itália, onde 40 por cento dos consultados disseram que gostariam de voltar para a lira, mas a maioria continua a favor da moeda comum.
Na Grã-Bretanha, onde a questão da economia europeia e união política dividiu o país e derrubou primeiros-ministros por mais de meio século, 73 por cento das pessoas disseram que estar fora do euro é uma coisa boa.
(Reportagem de Robin Emmott)
Reuters.
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