terça-feira, 29 de maio de 2012

“Capacetes Azuis”: entre dois fogos

Por Sagran Carvalho.

“Capacetes Azuis”: entre dois fogos

A decisão de comemorar o Dia Internacional das Forças de Manutenção da Paz a 29 de maio foi tomada em 2002. A Assembleia Geral não escolheu casualmente esta data. Foi neste mesmo dia de 1948 que foi criada a primeira missão de manutenção da paz na Palestina.

Os “capacetes azuis” festejam hoje o "seu" dia. O dia 29 de maio é o Dia Internacional das Forças de Manutenção da Paz, mais conhecidas como capacetes ou boinas azuis. A Organização das Nações Unidas salienta que a manutenção da paz nas zonas de conflito é um exemplo único de parceria global e de valentia: os “capacetes azuis”, devido ao caráter da sua atividade, sempre encontram-se “entre dois fogos”.
A decisão de comemorar o Dia Internacional das Forças de Manutenção da Paz a 29 de maio foi tomada em 2002. A Assembleia Geral não escolheu casualmente esta data. Foi nomeadamente naquele dia de 1948 que foi criada a primeira missão de manutenção da paz na Palestina.
Hoje, naturalmente, os “capacetes azuis” não são simplesmente soldados e oficiais ligeiramente armados que patrulham a linha divisória entre as partes em conflito. As operações de paz da ONU ganharam um caráter complexo e multifacetado. Não se trata apenas de controlo da observação do regime de cessar-fogo, resolvem de fato múltiplas tarefas de restabelecimento dos países que se encontram à beira da ruína, frequentemente após dezenas de anos de conflitos. Os capacetes azuis e os seus colegas civis organizam eleições, ajudam a reformar a polícia e o sistema judicial, protegem os direitos humanos, neutralizam minas, asseguram o transporte de cargas humanitárias.
Infelizmente, o número de conflitos no mundo não diminui e por isso os “capacetes azuis” não ficam sem trabalho, apontou em entrevista à Voz da Rússia o diretor adjunto do Centro de Informação da ONU em Moscou, Yuri Chichaev:
"Se analisarmos o diagrama que carateriza a demanda do potencial de manutenção da paz da ONU, veremos sua subida brusca a partir dos meados dos anos 80. Atualmente, no mundo, cerca de 120 mil “capacetes azuis” participam em 17 operações de manutenção da paz. Só no ano passado foram mortos 112 militares. Este é um instrumento muito importante que nas mãos da comunidade internacional pode servir muito eficazmente para os objetivos de resoluçao de conflitos armados."
Mais de 100 países enviam seus militares para as Forças de Manutenção da Paz da ONU. A maior parte – 35 por cento – corresponde ao Paquistão, à Índia e a Bangladesh. O financiamento das operações de manutenção da paz (mais de 5 mil milhões de dólares ao ano) é assumido principalmente por países europeus, Japão e os Estados Unidos. A maior parte dos esforços de paz da ONU é concentrada hoje em países africanos. A maior operação decorre no Sudão, país dilacerado por uma guerra civil.
Entre os “capacetes azuis” há poucos russos. Contudo, o envio de contingentes de paz para pontos quentes do planeta não é apenas uma prerrogativa do Conselho de Segurança da ONU. Com o consentimento das partes em conflito, tal é feito também por mediadores – principalmente pelas principais potências mundiais. A partir dos anos 80, os efetivos do contingente de paz russo distinguiram-se nos Balcãs e no Cáucaso do Sul, faz lembrar o redator-chefe da revista “Defesa Nacional”, Igor Korotchenko:
"No Kosovo e no Cáucaso, os efetivos do contingente de paz russo contribuíram consideravelmente para estabilizar a situação e cumpriram dignamente o seu dever militar. Quanto à Ossétia do Sul, sabemos que em 2008 foram as forças de paz que se tornaram a primeira vítima da agressão georgiana. Estes soldados entraram em combate, embora não estivesse bem preparados para isso. Tinham por missão principal manter a paz e não fazer frente com armas nas mãos a ocupantes georgianos. As missões de manutenção da paz sempre são difíceis. Os contingentes de paz são utilizados em zonas de conflito sobretudo complexas. Mas os russos cumpriram a sua missão de forma exemplar nas zonas onde havia o respetivo mandato. Isso foi reconhecido por todos, inclusive por representantes de contingentes de paz estrangeiros."
A tarefa principal dos efetivos das forças de paz consiste em separar as partes beligerantes e controlar a observação do armistício. A supertarefa é garantir a estabilidade e uma vida normal às pessoas que se encontram na zona do conflito. O papel de “tampão” nunca é fácil. Neste trabalho, só se pode desejar coragem e imparcialidade.

V.R.


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