quarta-feira, 6 de junho de 2012

Espanha pede solidariedade dos europeus para enfrentar crise

Por Sagran Carvalho.


A Comissão Europeia apresentou nesta quarta-feira um projeto de resolução para crises bancárias, um dos pilares da chamada união bancária que o executivo europeu quer adotar no bloco. O objetivo é prevenir futuras crises e gerenciar com mais eficiência as falências de bancos, evitando solicitar a ajuda dos estados e consequentemente desestabilizar todo o sistema financeiro europeu. Nesta terça-feira, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, pediu ajuda aos vizinhos pois já não consegue mais recapitalizar seus bancos, devido às elevadas taxas de juros cobradas pelos mercados.

Fina Iñiguez, correspondente da RFI em Barcelona
Quarta economia do bloco, a Espanha evita o quanto pode solicitar recursos do FESF (Fundo Europeu de Estabilidade Financeira), temendo condições ainda mais austeras e o controle externo das contas públicas, mas a crise no setor bancário chegou a um momento crítico.
Segundo análises otimistas, os bancos espanhóis precisam de € 60 bilhões com urgência, mas o rombo pode chegar a € 200 bilhões. Atualmente, o fundo europeu dispõe de 440 bilhões, mas sua capacidade de intervenção vai aumentar para € 940 bilhões a partir de 1° de julho.
O primeiro ministro espanhol Mariano Rajoy insiste que o país não precisa de resgate embora tenha reconhecido nesta terça-feira que a Espanha tem um problema de financiamento de dívida e tenha defendido publicamente, pela primeira vez, os eurobônus.
Os eurobônus, uma proposta defendida também pelo presidente francês Hollande e pela oposição socialista, mas rejeitada pela chanceler alemã Angela Merkel, são emissões conjuntas de dívida pública para todos os estados da União Europeia e supõem que a dívida não é de cada país individualmente mas sim do conjunto dos estados membros.
Com a emissão de eurobônus a Espanha se livraria de resgates como os de Portugal, Irlanda ou Grécia, que colocam os países sob a tutela de instituições internacionais.
Segundo Rajoy, a Espanha não precisa de resgate, mas sim de "uma maior integração fiscal, uma união bancária com o eurobônus, com um supervisor bancário, e um fundo de garantia de depósitos europeus".
Contribuintes
As propostas de Rajoy estão alinhadas com as que a Comissão Europeia apresentou nesta quarta-feira, no sentido de criar uma rede de fundos nacionais como mecanismo de financiamento que permita à União Europeia resgatar bancos em crise sem apelar para os poderes públicos, e portanto para o dinheiro dos contribuintes.
"Não queremos que os contribuintes paguem, os bancos devem pegar pelos bancos", enfatizou o comissário europeu para os Serviços financeiros, Michel Barnier, durante a apresentação do projeto para a imprensa.
A Espanha está no centro das preocupações da zona euro. Os investidores desconfiam que o país não vai conseguir cumprir as suas obrigações financeiras e acabará precisando da ajuda externa, principalmente depois do resgate histórico de € 23,5 bilhões solicitado em maio pelo Bankia, o terceiro maior banco da Espanha em número de ativos.
Os países do G7, que se reuniram em uma videoconferência urgente nesta terça-feira para discutir a crise da zona euro, prometeram uma reação "rápida", embora não tenham explicado qual vai ser essa resposta.
Por sua vez, o ministro do Tesouro da Espanha, Cristóbal Montoro, não ajudou muito a aumentar a confiança no país ao afirmar também nesta terça-feira que a porta do mercado está fechada para a Espanha devido aos altos custos de sua dívida.
Nesta quinta-feira a Espanha vai ter a oportunidade de testar a confiança do mercado ao lançar em um leilão entre € 1,5 bilhão e 2 bilhões de euros em títulos de médio e longo prazo.

RFI.

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