terça-feira, 5 de junho de 2012

Egípcios convocam protesto para "recuperar" sua revolução






Por Sagran Carvalho.



CAIRO, 5 Jun (Reuters) - Ativistas convocaram os egípcios nesta terça-feira para uma grande manifestação em que tentarão reassumir os rumos da revolução de 2011, que eles consideram ter se perdido já que elementos do antigo regime continuam no poder.
O estopim da indignação foi a condenação, no sábado, do ex-presidente Hosni Mubarak à prisão perpétua, por causa da morte de manifestantes durante a rebelião popular que o derrubou no ano passado, além da absolvição de vários ex-funcionários de alto escalão por falta de provas. Os manifestantes queriam a pena de morte para Mubarak, e muitos temem que ele acabe sendo absolvido em segunda instância.
A convocação do protesto, quase 16 meses após a queda de Mubarak, reflete também a insatisfação dos revolucionários com o segundo turno da eleição presidencial, em 16 e 17 de junho, que irá contrapor um candidato ligado ao antigo regime, Ahmed Shafiq, a um conservador islâmico, Mohamed Mursi.
"Não a Mursi, não a Shafiq, a revolução está pela metade", dizia um cartaz carregado por um jovem na praça Tahrir, propondo um boicote à votação do segundo turno. Centenas de pessoas já estavam na manhã desta terça na praça Tahrir, epicentro da rebelião do ano passado, e palco de várias outras manifestações na tensa transição política que se seguiu.
Grupos e partidos liberais ou centristas querem que o segundo turno seja suspenso até que o Parlamento aprove uma lei que proibiria Shafiq de concorrer, por causa da sua ligação com Mubarak.
A Irmandade Muçulmana, partido de Mursi, com chances de chegar ao poder após décadas sofrendo repressão por parte de Mubarak, disse que vai participar do protesto, mas não propôs o adiamento da eleição.
Para esse grupo, a principal reivindicação é um novo julgamento aos acusados pela morte de manifestantes, um processo para julgar Shafiq, que foi o último premiê de Mubarak, e a rejeição de qualquer tentativa de "reproduzir o regime anterior".
"Viemos para obter nossos direitos e os direitos dos mártires, e não queremos Ahmed Shafiq", disse Hussein Ahmed, 30 anos, que estava na praça Tahrir.
Os manifestantes são unânimes em dizer que Shafiq é um "feloul" (remanescente da era Mubarak) e que deve ser barrado da presidência, mas se dividem sobre se Mursi é ou não um candidato da revolução, como ele diz ser.
Muitos desconfiam da Irmandade por renegar sua promessa inicial de não disputar a Presidência, e dizem que o grupo vem tentando abarcar mais poderes, aproveitando-se da ampla bancada formada na eleição parlamentar de meses atrás.
Negociações entre Mursi e dois candidatos derrotados, o esquerdista Hamdeen Sabahy e o ex-membro da Irmandade Abdel Moneim Abol Fotouh, respectivamente terceiro e quarto colocados no primeiro turno de maio, ainda não resultaram num apoio explícito a Mursi.
Sabahy e Abol Fotouh propuseram a anulação do pleito e a formação de um conselho presidencial, que provavelmente os incluiria. A Irmandade diz que isso seria inconstitucional, mas Mursi declarou-se disposto a nomear vices de fora do seu partido.

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