quinta-feira, 12 de abril de 2012

Pragmatismo nas relações com os EUA

Por Sagran Carvalho.

Como tem feito em outros fóruns e encontros no Hemisfério Norte, também com o presidente Barack Obama, em Washington, a presidente Dilma Rousseff criticou a política monetária expansionista dos países ricos, a "tsunami", afirmando que ela valoriza as moedas dos países em desenvolvimento e compromete seu crescimento. Dilma buscou assim marcar a posição em contraponto aos EUA. A frequência com que se refere ao tema indica que já se trata de um bordão ideológico de marketing, para firmar "independência" diante dos "donos do mundo", sintoma de um patológico complexo de inferioridade pátrio, curiosamente em alta enquanto o Brasil de fato conquista espaços na diplomacia multilateral.
Felizmente, este foi um aspecto lateral da passagem da presidente por Washington. Posições políticas à parte, o fato é que as relações bilaterais, em especial no comércio, entre as duas maiores economias das Américas estão muito aquém do que deveriam, na prática semicongeladas pelos oito anos de diplomacia companheira lulopetista, da qual resultou, entre outros, um dado preocupante: hoje, o Brasil importa bem mais dos EUA do que exporta para o maior mercado de consumo do mundo.
O déficit tem sido crescente. As importações brasileiras, de US$ 11,3 bilhões em 2004, passaram para US$ 33,9 bilhões em 2011, um salto de 200%. Enquanto isso, as exportações para lá estagnaram na faixa dos US$ 20/25 bilhões, o que levou a perda brasileira em 2011 ao recorde de US$ 8,1 bilhões. Não foi mesmo muito inteligente voltar as costas ao maior mercado importador do mundo, devido a um antiamericanismo à moda das décadas de 60 e70.
Os EUA deixaram de ser nosso maior parceiro comercial, substituídos pela China. E há aí um fato a ser lembrado: a China compra no Brasil principalmente matérias-primas, enquanto os EUA são importadores de bens industrializados nacionais. Não se pode descuidar das exportações para a China, mas é preciso atenção com o mercado para o qual se embarcam mercadorias de valor mais alto que os produtos primários.
Menos ideologia e mais pragmatismo são essenciais para resgatar as relações com Washington. A passagem da presidente Dilma por Washington deixou a positiva impressão de que haverá a busca de uma relação bilateral mais qualificada.
Um acerto indiscutível da visita foi a inclusão na agenda presidencial do tema da ciência e tecnologia, parte de um programa de governo em que se destaca a concessão de 100 mil bolsas de estudo para estudantes brasileiros cursarem áreas técnicas em grandes universidade estrangeiras (25 mil iriam para os EUA). O caminho é explorado por países asiáticos há décadas, com enormes e visíveis resultados positivos. Neste sentido, tão importante quanto a ida a Washington foi a passagem de Dilma por Boston, para visitar a Universidade de Harvard - um dos destinos desses estudantes - e o Massachusetts Institute of Technology, onde assinou convênio para o MIT e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) estabelecerem parceria. Bom começo para se recuperar o tempo perdido.
Fonte: O Globo

Um comentário:

  1. so falou de jargões políticos... eu esperava algo mais "sério" e conforme ao pragmatismo... mas vem da Globo, e Zumbi da Globo repete sempre jargões!

    Valeu!!

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