Por Sagran Carvalho.
Como tem feito em outros fóruns e
encontros no Hemisfério Norte, também com o presidente Barack Obama, em
Washington, a presidente Dilma Rousseff criticou a política monetária
expansionista dos países ricos, a "tsunami", afirmando que ela valoriza
as moedas dos países em desenvolvimento e compromete seu crescimento.
Dilma buscou assim marcar a posição em contraponto aos EUA. A frequência
com que se refere ao tema indica que já se trata de um bordão
ideológico de marketing, para firmar "independência" diante dos "donos
do mundo", sintoma de um patológico complexo de inferioridade pátrio,
curiosamente em alta enquanto o Brasil de fato conquista espaços na
diplomacia multilateral.
Felizmente,
este foi um aspecto lateral da passagem da presidente por Washington.
Posições políticas à parte, o fato é que as relações bilaterais, em
especial no comércio, entre as duas maiores economias das Américas estão
muito aquém do que deveriam, na prática semicongeladas pelos oito anos
de diplomacia companheira lulopetista, da qual resultou, entre outros,
um dado preocupante: hoje, o Brasil importa bem mais dos EUA do que
exporta para o maior mercado de consumo do mundo.
O
déficit tem sido crescente. As importações brasileiras, de US$ 11,3
bilhões em 2004, passaram para US$ 33,9 bilhões em 2011, um salto de
200%. Enquanto isso, as exportações para lá estagnaram na faixa dos US$
20/25 bilhões, o que levou a perda brasileira em 2011 ao recorde de US$
8,1 bilhões. Não foi mesmo muito inteligente voltar as costas ao maior
mercado importador do mundo, devido a um antiamericanismo à moda das
décadas de 60 e70.
Os EUA
deixaram de ser nosso maior parceiro comercial, substituídos pela China.
E há aí um fato a ser lembrado: a China compra no Brasil principalmente
matérias-primas, enquanto os EUA são importadores de bens
industrializados nacionais. Não se pode descuidar das exportações para a
China, mas é preciso atenção com o mercado para o qual se embarcam
mercadorias de valor mais alto que os produtos primários.
Menos
ideologia e mais pragmatismo são essenciais para resgatar as relações
com Washington. A passagem da presidente Dilma por Washington deixou a
positiva impressão de que haverá a busca de uma relação bilateral mais
qualificada.
Um acerto
indiscutível da visita foi a inclusão na agenda presidencial do tema da
ciência e tecnologia, parte de um programa de governo em que se destaca a
concessão de 100 mil bolsas de estudo para estudantes brasileiros
cursarem áreas técnicas em grandes universidade estrangeiras (25 mil
iriam para os EUA). O caminho é explorado por países asiáticos há
décadas, com enormes e visíveis resultados positivos. Neste sentido, tão
importante quanto a ida a Washington foi a passagem de Dilma por
Boston, para visitar a Universidade de Harvard - um dos destinos desses
estudantes - e o Massachusetts Institute of Technology, onde assinou
convênio para o MIT e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA)
estabelecerem parceria. Bom começo para se recuperar o tempo perdido.
Fonte: O Globo
so falou de jargões políticos... eu esperava algo mais "sério" e conforme ao pragmatismo... mas vem da Globo, e Zumbi da Globo repete sempre jargões!
ResponderExcluirValeu!!