Por Sagran Carvalho.
CARTUM,
Sudão e JUBA, Sudão do Sul — Menos de um ano após o referendo que
aprovou a separação do Sudão do Sul, o novo país está à beira do
conflito com o Sudão por conta da disputa em torno da região de
fronteira rica em petróleo. Tropas do SPLA (o Exército do Sudão do Sul)
invadiram terça-feira a cidade de Heglig, que abriga instalações de
petróleo responsáveis por cerca de metade da produção do Sudão, de 115
mil barris/dia.
A
resposta do governo de Omar al-Bashir foi rápida, e o Sudão anunciou
que pretende mobilizar seu Exército contra o Sudão do Sul e interrompeu
as negociações com o país vizinho. Em nota, disse que usará “todos os
meios legítimos” para responder ao que considera ser uma agressão. Além
disso, afirmou que se o Sudão do Sul optar pela guerra, só colherá
“fracasso e destruição”. Especialistas avaliam que uma escalada do
conflito pode trazer de volta o fantasma da guerra civil travada entre
as regiões norte e sul durante décadas.
O
porta-voz do SPLA, coronel Philip Aguer, justificou a operação dizendo
que vários jatos de combate sudaneses MiG-29 bombardearam a área no
começo da semana. Aguer afirma que os ataques feriram diversos soldados
do SPLA, mas não especificou quantos.
—
Nosso principal objetivo é garantir a segurança dos territórios do
Sudão do Sul e proteger o povo — disse Aguer. — O Sudão e seus aliados,
os milicianos treinados em Heglig, têm nos atacado a partir de lá
durante os últimos dois anos.
A
hostilidade entre o Sudão do Sul e o Sudão já vinha crescendo nos
últimos meses. Após a separação, em julho do ano passado, os dois lados
nunca chegaram a um acordo sobre como compartilhar as receitas de
petróleo na região, sobre a divisão da dívida nacional e a localização
exata da fronteira. O petróleo, fonte da maior parte da receita dos dois
países, representa o ponto mais sensível da negociação. Em janeiro, o
Sudão do Sul mandou interromper a produção de 350 mil barris/dia diante
da disputa sobre quanto deve pagar para exportar o produto usando a
infraestrutura do país vizinho.
ONU e União Africana pedem solução para conflito
Uma
decisão de 2009 da Corte Permanente de Arbitragem em Haia colocou
Heglig como parte do Sudão. O Sul não aceita a decisão do tribunal.
—
A batalha está aumentando. Está se espalhando para todos os lados —
afirmou o ministro da Informação do Sudão do Sul, Barnaba Marial
Benjamin.
O
secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, conversou por telefone com o
presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit, e sugeriu a realização
de um encontro imediato com Bashir para reduzir as tensões. Ban
aconselhou os dois lados a agir com contenção.
A
União Africana exigiu que o Sudão do Sul retire suas tropas do campo de
petróleo de Heglig e disse estar profundamente alarmada com a situação.
Fonte: O Globo
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