quinta-feira, 12 de abril de 2012

Exército do Sudão do Sul invade instalações de petróleo do Sudão

Por Sagran Carvalho.

CARTUM, Sudão e JUBA, Sudão do Sul — Menos de um ano após o referendo que aprovou a separação do Sudão do Sul, o novo país está à beira do conflito com o Sudão por conta da disputa em torno da região de fronteira rica em petróleo. Tropas do SPLA (o Exército do Sudão do Sul) invadiram terça-feira a cidade de Heglig, que abriga instalações de petróleo responsáveis por cerca de metade da produção do Sudão, de 115 mil barris/dia.
A resposta do governo de Omar al-Bashir foi rápida, e o Sudão anunciou que pretende mobilizar seu Exército contra o Sudão do Sul e interrompeu as negociações com o país vizinho. Em nota, disse que usará “todos os meios legítimos” para responder ao que considera ser uma agressão. Além disso, afirmou que se o Sudão do Sul optar pela guerra, só colherá “fracasso e destruição”. Especialistas avaliam que uma escalada do conflito pode trazer de volta o fantasma da guerra civil travada entre as regiões norte e sul durante décadas.
O porta-voz do SPLA, coronel Philip Aguer, justificou a operação dizendo que vários jatos de combate sudaneses MiG-29 bombardearam a área no começo da semana. Aguer afirma que os ataques feriram diversos soldados do SPLA, mas não especificou quantos.
— Nosso principal objetivo é garantir a segurança dos territórios do Sudão do Sul e proteger o povo — disse Aguer. — O Sudão e seus aliados, os milicianos treinados em Heglig, têm nos atacado a partir de lá durante os últimos dois anos.
A hostilidade entre o Sudão do Sul e o Sudão já vinha crescendo nos últimos meses. Após a separação, em julho do ano passado, os dois lados nunca chegaram a um acordo sobre como compartilhar as receitas de petróleo na região, sobre a divisão da dívida nacional e a localização exata da fronteira. O petróleo, fonte da maior parte da receita dos dois países, representa o ponto mais sensível da negociação. Em janeiro, o Sudão do Sul mandou interromper a produção de 350 mil barris/dia diante da disputa sobre quanto deve pagar para exportar o produto usando a infraestrutura do país vizinho.
ONU e União Africana pedem solução para conflito
Uma decisão de 2009 da Corte Permanente de Arbitragem em Haia colocou Heglig como parte do Sudão. O Sul não aceita a decisão do tribunal.
— A batalha está aumentando. Está se espalhando para todos os lados — afirmou o ministro da Informação do Sudão do Sul, Barnaba Marial Benjamin.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, conversou por telefone com o presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit, e sugeriu a realização de um encontro imediato com Bashir para reduzir as tensões. Ban aconselhou os dois lados a agir com contenção.
A União Africana exigiu que o Sudão do Sul retire suas tropas do campo de petróleo de Heglig e disse estar profundamente alarmada com a situação. 
 
Fonte: O Globo

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