quinta-feira, 3 de maio de 2012

Dissidente chinês estava preparado para ficar na embaixada

Por Sagran Carvalho.


Por Andrew Quinn



O ativista chinês Chen Guangcheng estava preparado para passar anos refugiado na embaixada dos EUA em Pequim, disse o embaixador norte-americano Gary Locke, nesta quinta-feira.

Chen, que é cego, fugiu da aldeia onde estava em prisão domiciliar e se refugiou na embaixada dos EUA na semana passada, dias antes de uma reunião anual entre autoridades de alto escalão dos dois países.

O governo chinês queria que Chen deixasse a embaixada, e Chen se negava a abandonar a China. Isso obrigou os diplomatas norte-americanos a negociarem durante cinco dias uma solução que garantisse a segurança do ativista e de sua família.

"Ele sabia que tinha escolhas difíceis pela frente. Sabia e estava muito ciente de que poderia ter de passar muitíssimos anos na embaixada. Mas estava preparado para isso", disse Locke a jornalistas. "E estava plenamente ciente e conversou sobre o que poderia acontecer com a sua família se ele ficasse na embaixada e eles permanecessem na aldeia da província de Shandong."

O embaixador acrescentou que o ativista frisava a todo instante seu desejo de permanecer na China, "para ser parte da luta para melhorar os direitos humanos de dentro da China". Durante as discussões, ele citava as trajetórias do sul-africano Nelson Mandela e da birmanesa Aung San Suu Kyi, dois ganhadores do Nobel da Paz por sua resistência pacífica a regimes ditatoriais.

Após vários dias de intermediação entre Chen e o governo chinês, um acordo parecia à vista. O governo ofereceu sete locais onde Chen e sua família poderiam se radicar, e onde Lee poderia realizar seu sonho de estudar direito. As autoridades também concordaram em investigar denúncias de maus tratos contra a família em Shandong.

Mas, horas antes da chegada da secretária de Estado Hillary Clinton a Pequim, Chen recuou. Autoridades dos EUA dizem que na noite de terça-feira ele exigiu falar com o primeiro-ministro Wen Jiabao, e pediu a presença da mulher e dos filhos na capital.

O governo embarcou os parentes do ativista em um trem expresso, segundo relato de Locke, e por telefone a mulher dele "implorou" para que Chen aceitasse o acordo e deixasse a embaixada para receber atendimento em um hospital. 
Fonte: Reuters

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