segunda-feira, 28 de maio de 2012

ONU: Ruanda apoia rebelião na República Democrática do Congo

Por Sagran Carvalho.


Por Com agências internacionais | Agência O Globo 


BRUXELAS - Um relatório confidencial das Nações Unidas acusa Ruanda de apoiar e enviar suprimentos bélicos a rebeldes na República Democrática do Congo (antigo Zaire) que tentam, desde abril, derrubar o governo de Joseph Kabila, eleito no fim de 2011. O documento, divulgado pela emissora BBC, diz que desertores do Exército congolês treinaram em Ruanda sob o pretexto de se unirem às Forças Armadas do país vizinho. Além de receberem orientações, os rebeldes estariam ganhando armas para entrar em conflito com o governo congolês.
O governo de Ruanda é de etnia tutsi, e não concorda com a proteção que a R.D. do Congo deu a milhares de refugiados da etnia rival hutu, durante o genocídio da guerra étnica de 1994 em Ruanda. Durante o período, milhares de hutus se refugiram na R.D. do Congo, por temerem serem perseguidos pelos tutsis. Ruanda já invadiu duas vezes seu maior vizinho, afirmando estar agindo contra milícias de hutus instaladas na área.
Em entrevista à TV britânica, o ministro das Relações Exteriores de Ruanda, Louise Mushikiwabo, negou as acusações do relatório das Nações Unidas e disse que a ONU não pode provar nada do que fala.
- A missão da ONU na República Democrática do Congo está mentindo. Eles não apuraram nada. Eles somente repetem reclamações e rumores que nós, o governo de Ruanda, estamos ouvindo nas últimas semanas - afirma Mushikiwabo.
Segundo monitores da ONU, centenas de pessoas já deixaram a área de fronteira temendo a ação das milícias rebeldes financiadas por Ruanda. Alguns dos desertores congoleses foram supostamente "recrutados" por Ruanda em fevereiro deste ano, o que significa que o governo de Kigali já apoiava a rebelião antes do início do conflito rebelde contra o governo de Kabila, que começou no mês de abril.
Bosco "Terminator" Ntaganda, um dos rebeldes congoleses, seria o líder do grupo miliciano que atua no momento na R.D. do Congo. Ele é procurado pelo Tribunal Internacional Penal e acusado de crimes de guerra e contra os direitos humanos.

O massacre de 1994

O genocídio de 1994 em Ruanda deixou mais de 800 mil pessoas mortas em menos de 100 dias. Antes do início dos assassinatos em série, o presidente Juvenal Habyarimana, da etnia hutu, foi morto por milicianos tutsis, abrindo as portas para a violência desenfreada no país.
Milhares de civis hutus e até tutsis moderados foram mortos nas ruas de Ruanda. A violência foi tema do filme "Hotel Ruanda", que retratou a tentativa de um gerente de um hotel de luxo do país em proteger sua família e civis refugiados no local.

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