Por Sagran Carvalho.
Editorial
Um trem com locomotiva e 16 vagões se aproxima velozmente de um ponto em que os trilhos apontam para o abismo, o maquinista insiste em usar os freios e o foguista, em pôr mais lenha na fogueira. Lembra a zona do euro. Enquanto a crise econômico-financeira se aprofunda, seus dirigentes agem em velocidade de carro 1.0, ao passo que os fatos aceleram uma Ferrari. Junho se aproxima e, com ele, eventos cruciais: eleições gregas no dia 17 e reunião dos líderes europeus no fim do mês. As eleições parlamentares francesas serão no dia 10, mas sem a importância das gregas.
Ninguém sabe se a Grécia permanecerá na zona do euro - muito dependerá das urnas. E, por isso, já há planos de contingência caso aconteça o pior. A crise dotou a União Europeia de uma incrível capacidade de produzir más notícias. Os gregos votaram no mesmo dia do pleito presidencial francês, 6 de maio, e agravaram a situação ao dar poder a partidos extremistas, contrários às operações de salvamento empreendidas por instituições europeias e internacionais para impedir a quebra do país. Com isso, não houve acordo para formar governo e novas eleições foram marcadas. Incerteza em grau máximo, o que contribuiu para uma das consequências mais terríveis desse quadro: corrida aos bancos na Grécia e na Espanha. Pesquisa da Thomson Reuters revelou que os bancos gregos já perderam 72 bilhões em depósitos desde o início de 2010, ou 30% do total. Na Espanha, o movimento tem sido de saque em instituições menores e transferência para grandes bancos nacionais. Um deles, Santander. Há, porém, quem troque euros espanhóis por libras inglesas ou busque refúgio em bancos alemães - que também serão atingidos numa hecatombe financeira. Aliás, como todo o mundo, numa reedição de setembro de 2008, na falência do Lehman Bros, nos EUA.
Os franceses trocaram o foguista conservador, que concordava com a maquinista, por outro de opinião diversa, socialista e "desenvolvimentista". O pleito parlamentar deverá confirmar a vitória da esquerda, reforçando o cacife do recém-chegado. O trem europeu fez uma parada em Bruxelas para a tripulação jantar, e o desentendimento continuou. Angela Merkel, da Alemanha, maquinista-chefe, insiste no uso dos freios - medidas de austeridade e ajuste fiscal - enquanto o novo foguista, François Hollande, da França, só quer saber de aumentar a velocidade. Ambos têm razão e devem deixar de lado o que os separa e priorizar logo o que possam ter em comum. O tempo passa e a situação se agrava.
Um índice que monitora os setores de serviço e manufatureiro na Europa, calculado pela Markit Economics, caiu mais do que o esperado em maio, para 45.9. Abaixo dos 50 pontos ele sugere que a economia está se contraindo. Como se não bastasse, surgem indícios de perda de fôlego na economia alemã. O índice da mesma instituição, baseado em pesquisas junto aos gerentes de compras das empresas alemãs, desceu de 46.2 em abril para 45 em maio. Junho, então, chegará com uma carga dramática mais intensa. Para que haja luz no fim do longo túnel, é preciso que os líderes europeus sejam ágeis e flexíveis, e os gregos elejam a opção menos pior - a que representa "apenas" sacrifícios para a população e o país. A outra, dos partidos extremistas, levará ao caos.
Ninguém sabe se a Grécia permanecerá na zona do euro - muito dependerá das urnas. E, por isso, já há planos de contingência caso aconteça o pior. A crise dotou a União Europeia de uma incrível capacidade de produzir más notícias. Os gregos votaram no mesmo dia do pleito presidencial francês, 6 de maio, e agravaram a situação ao dar poder a partidos extremistas, contrários às operações de salvamento empreendidas por instituições europeias e internacionais para impedir a quebra do país. Com isso, não houve acordo para formar governo e novas eleições foram marcadas. Incerteza em grau máximo, o que contribuiu para uma das consequências mais terríveis desse quadro: corrida aos bancos na Grécia e na Espanha. Pesquisa da Thomson Reuters revelou que os bancos gregos já perderam 72 bilhões em depósitos desde o início de 2010, ou 30% do total. Na Espanha, o movimento tem sido de saque em instituições menores e transferência para grandes bancos nacionais. Um deles, Santander. Há, porém, quem troque euros espanhóis por libras inglesas ou busque refúgio em bancos alemães - que também serão atingidos numa hecatombe financeira. Aliás, como todo o mundo, numa reedição de setembro de 2008, na falência do Lehman Bros, nos EUA.
Os franceses trocaram o foguista conservador, que concordava com a maquinista, por outro de opinião diversa, socialista e "desenvolvimentista". O pleito parlamentar deverá confirmar a vitória da esquerda, reforçando o cacife do recém-chegado. O trem europeu fez uma parada em Bruxelas para a tripulação jantar, e o desentendimento continuou. Angela Merkel, da Alemanha, maquinista-chefe, insiste no uso dos freios - medidas de austeridade e ajuste fiscal - enquanto o novo foguista, François Hollande, da França, só quer saber de aumentar a velocidade. Ambos têm razão e devem deixar de lado o que os separa e priorizar logo o que possam ter em comum. O tempo passa e a situação se agrava.
Um índice que monitora os setores de serviço e manufatureiro na Europa, calculado pela Markit Economics, caiu mais do que o esperado em maio, para 45.9. Abaixo dos 50 pontos ele sugere que a economia está se contraindo. Como se não bastasse, surgem indícios de perda de fôlego na economia alemã. O índice da mesma instituição, baseado em pesquisas junto aos gerentes de compras das empresas alemãs, desceu de 46.2 em abril para 45 em maio. Junho, então, chegará com uma carga dramática mais intensa. Para que haja luz no fim do longo túnel, é preciso que os líderes europeus sejam ágeis e flexíveis, e os gregos elejam a opção menos pior - a que representa "apenas" sacrifícios para a população e o país. A outra, dos partidos extremistas, levará ao caos.
O Globo.
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