Por Sagran Carvalho.
Esta terça-feira (8) é celebrado o Dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial. A data, pouco lembrada, ainda é cheia de significado para os sobreviventes dos mais de 25 mil brasileiros, que, há 67 anos, estavam nos campos de batalha da Itália, lutando contra as tropas de Hitler. No ABCD, são cerca de 20 veteranos vivos. O Brasil foi o único país da América Latina que participou da guerra europeia.
MISÉRIA/ Uma impressão que o marcou muito o veterano foi a miséria que encontrou numa Europa devastada por cinco anos de guerra. “A gente via crianças implorando por comida, pais dando suas filhas em troca de alimento. De tanto ver aquilo a gente ficava com mais vontade de combater para acabar com a guerra”, destacou.
COMBATES/ Garofalo ficou pouco mais de um mês na linha de frente. Foi ferido na batalha de Monte Castello, em outubro de 1944. Foi tempo mais do que suficiente para fazer a sua avaliação dos soldados alemães.“Para mim, eles eram os melhores do mundo. Muito disciplinados. Mesmo quando se rendiam, marchavam com orgulho. Por outro lado, eram os mais frios”.
A expressão surgiu antes da entrada do Brasil no conflito. Se dizia que era mais fácil uma cobra fumar do que o País ir à guerra. Hoje, a frase é usada quando alguém desperta a raiva em outra.
Monumento e história quase esquecidas
O que mais entristece o veterano Miguel Garofalo é a falta de memória do povo brasileiro sobre a participação do País na Segunda Guerra Mundial. Isso, porém, é um fenômeno antigo. “Logo que voltamos da guerra, encontramos com pessoas que comentavam que tínhamos ido fazer um passeio à Itália. Até hoje, só o Exército se lembra de nós”, lamenta.
Evandro Enoshita
E um desses ex-combatentes é o segundo-tenente Miguel Garofalo, 90 anos. Ele fez parte do primeiro escalão de tropas brasileiras, que embarcaram para a Itália em junho de 1944. “Estava servindo o Exército em 1943, quando veio a convocação. Mesmo com a chance de desertar, fiquei. Meus pais eram italianos, tinha medo que acontecesse algo com eles se eu fugisse. Mas sabe como que é. Brasileiro quando vê uma briga, paga para não sair”, contou.
PREPARAÇÃO/ Vontade e coragem não faltavam aos brasileiros. Por outro lado, faltou treinamento e até uniformes mais adequados. “Quando desembarcamos em Nápoles [em julho de 1944], fomos recebidos com ofensas pelos italianos. Pensaram que éramos prisioneiros alemães por causa do nosso uniforme”.
PREPARAÇÃO/ Vontade e coragem não faltavam aos brasileiros. Por outro lado, faltou treinamento e até uniformes mais adequados. “Quando desembarcamos em Nápoles [em julho de 1944], fomos recebidos com ofensas pelos italianos. Pensaram que éramos prisioneiros alemães por causa do nosso uniforme”.
Depois da chegada à Itália, foram mais de dois meses de espera para entrar em combate. “Perto dos alemães, americanos, ingleses e russos, nós eramos um time de pernas de pau”, afirmou Garofalo.
MISÉRIA/ Uma impressão que o marcou muito o veterano foi a miséria que encontrou numa Europa devastada por cinco anos de guerra. “A gente via crianças implorando por comida, pais dando suas filhas em troca de alimento. De tanto ver aquilo a gente ficava com mais vontade de combater para acabar com a guerra”, destacou.
Apesar de destacar os horrores da guerra, Garofalo fala com orgulho da sua experiência. “Tudo aquilo que eu passei foi uma lição de vida. Aprendi a ser uma pessoa melhor”.
A Segunda Guerra Mundial
O conflito, iniciado em setembro de 1939, opôs Alemanha, Itália e Japão aos Estados Unidos, Inglaterra, França e União Soviética. Encerrada em 1945, a guerra deixou um saldo de mais de 40 milhões de mortos. 465 eram soldados brasileiros.
A cobra vai fumar
A cobra vai fumar
Monumento e história quase esquecidas
O que mais entristece o veterano Miguel Garofalo é a falta de memória do povo brasileiro sobre a participação do País na Segunda Guerra Mundial. Isso, porém, é um fenômeno antigo. “Logo que voltamos da guerra, encontramos com pessoas que comentavam que tínhamos ido fazer um passeio à Itália. Até hoje, só o Exército se lembra de nós”, lamenta.
Por isso, o pracinha, como é conhecido o veterano da FEB (Força Expedicionária Brasileira), não se cansa de dar palestras para falar sobre a guerra. Hoje, ele é presidente da Associação dos Ex-Combatentes do Brasil na região.
Essa falta de memória fica clara no monumento aos pracinhas, na Praça dos Expedicionários, no Jardim do Mar, em São Bernardo. Todo pichado, quem passa por ele muitas vezes nem tem ideia do que ele significa.
É o caso do jornaleiro Antônio Alves Vieira, 66 anos, que há 15 tem uma banca de jornais na mesma praça. “Essa é uma homenagem à Revolução de 1932”, afirmou, sem mostrar qualquer dúvida. Já a estudante Stephanie Salomão, 17 anos, que há dois pega o ônibus no local, nem tinha ideia da importância do monumento.
A única que acertou o motivo da escultura no local foi a comerciante Maria Lucia, 68 anos. “Essa é uma homenagem aos expedicionários da Segunda Guerra”, afirmou. Curiosamente, Maria não é brasileira. É portuguesa, e vive no País há cerca de 30 anos.
Fonte: Diário de São Paulo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Dê sua opinião!