sábado, 26 de maio de 2012

Frota norte-americana de submarinos: o longo braço do Silent Service

Por Sagran Carvalho.
Frota norte-americana de submarinos: o longo braço do Silent Service

O incêndio ocorrido durante a reparação do submarino nuclear USS Miami da classe Los Angeles chamou a atenção para o estado em que se encontra a frota de submarinos da Marinha dos EUA. Neste momento, está a operar-se uma mudança no “silent service”, tornando-se este mais universal.

De Yekaterinburg ” a “Miami
Verifica-se, pelo que foi publicado pelas fontes de informação não restritas, que as circunstâncias do incêndio no submarino americano, que teve lugar na noite de 23 para 24 de Maio de 2012 na doca dos Estaleiros Navais de Portsmouth (Kittery, Maine), são muito semelhantes ao que aconteceu no submarino porta-mísseis nuclear russo Ekaterinburg. O acidente no submarino russo deu-se a 29 de Dezembro de 2011 na doca dos estaleiros navais Nº 82 em Roslyakovo, distrito de Murmansk.
Em ambos os casos os incêndios, que duraram várias horas, começaram na proa dos submarinos. E em ambos os casos, segundo tudo indica, o que os provocou foi o desrespeito pelas normas de segurança durante os trabalhos de construção. No caso doEkaterinburg, é referida a inflamação de lixo das obras e das plataformas de madeira dos andaimes, no do USS Miami a origem do fogo ainda não foi especificada. É muito possível que este seja semelhante – lixo industrial e plataformas de madeira nos andaimes também são comuns nos estaleiros americanos.
Em ambos os casos não houve vítimas mortais, mas nove bombeiros e tripulantes russos e sete americanos sofreram ferimentos provocados por efeitos do fumo.
Aqui terminam as semelhanças e começam as diferenças. No submarino russo, o incêndio foi circunscrito ao compartimento da estação hidroacústica localizada na proa do submarino, não permitindo a sua penetração no casco de pressão e alastramento aos restantes compartimentos. No submarino americano o fogo afetou dois compartimentos de proa: o primeiro (acomodação e torpedos) e o segundo (de comando), o que põe em causa a possibilidade e a viabilidade da recuperação do USS Miami: “Ainda é cedo para falar na possibilidde de recuperar o Miami”, referiu o contra-almirante Richard Breckenridge, comandante do Grupo Dois de Submarinos em serviço no Atlântico e que inclui o Miami.
Substituição possível
O USS Miami (SSN 755) pertence à classe de submarinos nuclearesImproved Los Angeles e entrou ao serviço em 1990 e os estaleiros navais procediam à sua reparação e modernização de forma a continuar no ativo até 2025. Os Los Angelesmais antigos estão a ser atualmente abatidos ao efetivo, sendo substituidos pelos novos submarinos da classe Virginia.
Os novos navios que, formalmente, pertencem à mesma categoria dos Los Angeles, possuem capacidades mais alargadas. Além do armamento habitual (quatro tubos de torpedos e tubos de lançamento de mísseis de cruseiro), os Virginia possuem uma eclusa para mergulhadores autónomos e possibilidade de peamento para um contentor ou mini-submarino. O equipamento do submarino inclui também veículos operados remotamente (ROV).
Em vez dos habituais 12 lançadores para misseis de cruseiro, os promissores submarinos desse tipo serão equipados com dois poços, cada qual poderá ser carregado com um contentor amovível com armamento diverso (até 6 unidades). Além disso, nos Virginia será instalado equipamento hidroacústico mais potente.
Os submarinos deste tipo, mantendo as mesmas capacidades para a guerra de superfície e submarina, possuem um potencial incomparavelmente mais significante para a execução de operações especiais, o que faz disparar o valor destes navios nos conflitos regionais, onde eles antes limitavam-se a servir exclusivamente de vetores de misseis de cruzeiro.
Barato e prático
A grande vantagem dos Virginia é o seu custo relativamente baixo e a simplicidade do projeto que permite a sua construção como uma série grande. Atualmente a velocidade da sua construção, já depois da série rotinizada, é de cerca de dois anos desde o assentamento à sua entrega. No total a marinha dos EUA já conta com 8 Virginias e o nono deve juntar-se-lhes já no princípio de Junho deste ano. Mais quatro submarinos encontra-se em diferentes fases de construção, prevendo-se construir um total de 30 submarinos nucleares desta classe.
Antes, quase no fim da Guerra Fria, os EUA planeavam substituir os submarinos nucleares da classe Los Angeles por submarinos nucleares maiores, mais rápidos e de grande profundidade da classeSea Wolf, mas depois do desmembramento da URSS, o elevado custo destes navios foi considerado injustificado.
A Rússia ainda não conseguiu adotar uma abordagem como a americana. A Marinha da FR tem em construção submarinos da classe 885 Iassen que foram concebidos para contrabalançar os Sea Wolf - trata-se de submarinos grandes, fortemente armados, rápidos e de grande profundidade. A construção do primeiro da série, oSeverodvinsk, demorou quase 17 anos (de 1993 a 2010) e está a terminar as provas. Essa demora deveu-se à falta de verbas, além de, nos anos 2000, o projeto ter sido significativamente alterado para incorporar tecnologia de ponta, o que aumentou ainda mais o prazo de construção. A velocidade da construção em série deve aumentar, o segundo submarino deve ser lançado à água no próximo ano e ser entregue em 2014. De qualquer modo, os Iassen serão maiores e mais caros que os Virginia o que, considerando a diferença dos orçamentos militares da Rússia e dos Estados Unidos, parece ser completamente desajustado. A melhor escolha parece ser a limitação da série Yasen a um pequeno número de navios (dois a quatro), como fizeram os EUA com o Sea Wolf, e a conceção para a Marinha de Guerra da Rússia de um submarino nuclear polivalente de nova geração relativamente barato.
Caso contrário a frota russa de submarinos terá de se sujeitar a uma possível redução drástica no número de navios.

Voz da Rússia.

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