Por Sagran Carvalho.
FÁBIO PEREIRA RIBEIRO
FÁBIO PEREIRA RIBEIRO
Putin terá um grande trabalho, mas na verdade o trabalho maior será dos americanos
O peso de importância e os novos movimentos do BRICS geram novos movimentos americanos. As últimas relações diplomáticas do governo americano com o Brasil e agora o novo movimento estratégico da Casa Branca com Putin demonstram que os movimentos de aproximação e alinhamento estratégico com as novas potências são de suma importância para os interesses particulares, e também para a política externa americana.
A crise internacional e seus resquícios contínuos na Europa levam os Estados Unidos a um novo direcionamento de sua política externa, principalmente ao entender que a história diplomática sempre precisa de revisões estratégicas, e neste caso o crescimento do BRICS leva a entendimentos fundamentais para suas políticas. Como alinhar o crescimento do Brasil na política econômica e de defesa para a Casa Branca? Os cenários históricos com a Rússia são barreiras para o futuro? E a China será verdadeiramente uma potência econômica e sustentável mundial? E a Índia, como suportaremos o comércio e a tecnologia da informação? E a África, por que até agora não acertamos lá?
Os Estados Unidos esperam uma “associação construtiva”, como afirmou Tommy Vietor, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, e essa associação leva em conta as agendas de defesa, principalmente no processo de segurança internacional na Ásia, considerando os últimos eventos com a Coreia do Norte, e também um novo alinhamento de perspectivas referente ao processo econômico, além dos problemas históricos e de posicionamento em relação ao Oriente Médio, em especial os casos do Irã e da Síria.
Mas o movimento do BRICS força que os Estados Unidos tenham um novo posicionamento, além deo estreitamento de suas relações com os países do bloco, que historicamente teve distanciamentos estratégicos no passado. Como a própria história ajuda e descreve, os impérios e sucessos do passado não significam os novos impérios e sucessos do futuro.
Mas com certeza um dos equilíbrios que os Estados Unidos buscam nessas relações está nas percepções estratégicas e decisórias no Conselho de Segurança da ONU, e nas posições tomadas pela Rússia. Mas, como diz o principio da Teoria Realista das relações internacionais, os interesses particulares sobrepujam as vontades do coletivo, e nesse ponto os Estados Unidos perceberam que o conjunto e os novos movimentos estratégicos das potências levam a uma revisão de sua política externa.
Putin terá um grande trabalho, mas na verdade o trabalho maior será da Casa Branca, pois buscar esse equilíbrio dependerá mais da vontade americana de concretizar algo.
Fonte: Diário da Rússia.
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