Editorial
Os líderes reunidos em mais uma cúpula sobre a crise na Europa encomendaram aos dirigentes da União Europeia um programa de integração financeira -para os próximos meses- e de uma união fiscal preliminar -para os próximos anos.
Pode bem ser que a integridade da União Europeia não dure semanas e não resista à eleição grega de 17 de junho, a qual pode levar a Grécia para fora da eurozona, ou ao desenlace da crise bancária, ora mais intensa na Espanha.
A Alemanha, cada vez mais isolada, porém árbitro do futuro da Europa, novamente se opôs a mudanças imediatas nos pactos europeus. Tampouco admitiu relaxamento dos acordos que provocam recessão e crescente oposição política e social ao euro.
Com exceção da Alemanha e de seus aliados menores, aceita-se cada vez mais na Europa a ideia de que a integração financeira e fiscal acelerada é o único programa capaz tanto de evitar o colapso iminente da zona do euro como de estimular algum crescimento.
Por integração financeira se entende a criação de fundos, normas e instituições supranacionais para evitar a quebra em cadeia de bancos. Haveria fundos europeus de saneamento de casas bancárias em dificuldades e garantias conjuntas dos países para depósitos.
Um primeiro passo para a integração fiscal seria a criação de títulos europeus, "eurobonds". Trata-se de empréstimos que seriam tomados e garantidos por uma entidade continental, mas dirigidos a governos nacionais. Garantidos por economias mais fortes, como a alemã, tais títulos pagariam juros menores, reduzindo os custos de financiamento de países como Espanha, Itália e Portugal.
Em suma, trata-se de dar início a uma federação europeia.
A Alemanha não aceita que tais instituições sejam criadas antes que membros da UE implementem programas de saneamento financeiro. A criação de fundos financeiros ou fiscais europeus teria custos e riscos maiores para a Alemanha, a grande fiadora do bloco.
Os alemães querem evitar o ônus de assumir prejuízos causados por vizinhos do sul sem que estes estejam submetidos antes à contenção de gastos. Mas arriscam-se outra vez, como o fazem desde 2009, a permitir a desintegração desordenada da zona do euro.
Até agora, os alemães aceitaram no último instante de cada momento crítico a adoção de paliativos que antes rejeitavam. Avizinha-se o momento de ceder, de novo, e aceitar ao menos um lenitivo que evite o colapso iminente.
Folha de São Paulo.
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